ALMG cria grupo de trabalho para acompanhar recomendações feitas pela CPI de Brumadinho

José Vítor Camilo
17/09/2019 às 15:55.
Atualizado em 05/09/2021 às 21:48

Durante cerimônia de entrega às autoridades do relatório final da Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) da Barragem de Brumadinho, nesta terça-feira (17), deputados da Assembleia Legislativa de Minas Gerais (ALMG) anunciaram que um grupo de trabalho será criado para monitorar o acompanhamento das recomendações feitas no documento. O relatório sugeriu, entre outras coisas, o indiciamento de 11 funcionários da Vale e dois auditores da alemã Tüv Süd, que atestou a estabilidade da barragem que se rompeu e deixou 249 mortos e 21 desaparecidos. 

“A Assembleia continua em luto pela perda de tantas vidas e nosso trabalho não vai parar com a entrega deste relatório”, disse o deputado Agostinho Patrus Filho (PV), presidente da Casa. Ainda de acordo com a ALMG, este grupo será formado pelos mesmos deputados, efetivos e suplentes, que integraram a CPI. O objetivo é que o conhecimento adquirido ao longo dos seis meses da comissão não seja perdido. 

Na solenidade desta terça, o relatório final (quem em alguns dias será disponibilizado no portal da Casa) foi entregue para representantes do Ministério Público de Minas Gerais (MPMG), Defensoria Pública, Polícia Militar (PM) e outras entidades e, também, familiares das vítimas que estavam presentes. 

De acordo com o deputado André Quintão (PT), que foi o relator da CPI, os levantamentos feitos deixaram claro que o rompimento da barragem não foi um acidente e que, por isso, é preciso responsabilizar os culpados. O parlamentar lembrou ainda que a comissão tornou público algumas informações que não tinham sido divulgadas, como a incompatibilidade do plano de emergência da empresa, que previa um minuto para a chegada da lama onde estavam pessoas que precisavam de pelo menos cinco minutos para fugir. 

Procurada pela reportagem na última semana, quando o relatório final e suas recomendações foram divulgadas, a  Tüv Süd respondeu que "não comentará sobre o relatório" e que "reitera que tem cooperado com as autoridades para o esclarecimento das circunstâncias do colapso da barragem." 

Já a Vale, também por meio de nota, afirmou que " respeitosamente discorda da sugestão de indiciamento de funcionários e executivos da companhia" e que "o relatório recomenda os indiciamentos de forma verticalizada, com base em cargos ocupados em todos os níveis da empresa. A Vale considera fundamental que haja uma conclusão pericial, técnica e científica sobre as causas do rompimento da barragem B1 antes que sejam apontadas responsabilidades".

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