As duas faces do colesterol

11/08/2021 às 17:25.
Atualizado em 05/12/2021 às 05:39

Rodrigo Lamounier*

O colesterol sempre levou a fama de vilão, mas muitos não sabem que ele, em níveis controlados, é também o “mocinho” da história, essencial para o funcionamento adequado do corpo humano. O colesterol é um tipo de gordura presente no cérebro, nervos, músculos, pele, fígado, intestinos e coração, sendo também utilizado na produção de vários hormônios. Mas, quando os níveis estão elevados, especialmente o colesterol LDL mostra a sua outra face, e os problemas de saúde aparecem, tornando-se uma das principais causas de doenças cardiovasculares, como infarto e acidente vascular cerebral, podendo ser fatal. 

A Semana Nacional de Combate ao Colesterol (de 8 a 13/8) faz um alerta para a conscientização e prevenção do aumento dessa gordura na população. Cerca de quatro em cada dez brasileiros, ou seja, 18,4 milhões de pessoas, sofrem com o LDL elevado. Mas, com as subnotificações de casos, esse número pode alcançar a triste marca de 60 milhões. 

A Sociedade Brasileira de Endocrinologia e Metabologia – Regional Minas Gerais (SBEM-MG) esclarece que existem três diferentes frações do colesterol total.

A fração LDL (colesterol ruim) carrega o colesterol do fígado para as artérias. Quando o nível está elevado, pode entupir os vasos, aumentando o risco cardiovascular, como ataques cardíacos e AVCs.

Já o HDL (colesterol bom) faz o contrário. Como um faxineiro, ele é responsável por retirar o excesso de colesterol da circulação, levando-o para o fígado e removendo a gordura do organismo.

O terceiro tipo é o VLDL, que transporta moléculas de gordura para os outros tecidos a partir do fígado. Ao serem transportadas pela corrente sanguínea, elas são estocadas no tecido adiposo ou utilizadas como fonte de energia. As partículas excedentes são transformadas em colesterol ruim. 

Os endocrinologistas alertam que pessoas com colesterol LDL alto possuem maior risco cardiovascular, principalmente, quando associado a outras comorbidades, possibilitando o desenvolvimento de formas graves da covid-19. O excesso de colesterol está relacionado a fatores genéticos, obesidade, alimentação inadequada e a falta de exercícios físicos. O tratamento envolve medicamentos e mudanças no estilo de vida, como a prática de atividade física e a adoção de refeição saudável. 

Os testes laboratoriais de sangue são fundamentais para o tratamento, controle e prevenção, tanto na infância quanto na fase adulta, mesmo sem apresentar qualquer sintoma. Caso o LDL esteja elevado, deve-se consultar um endocrinologista para definir o risco cardiovascular e planejar um tratamento adequado. A cada 40mg/dL de colesterol LDL reduzido, a mortalidade por infarto se reduz em 20%. 

O colesterol, em níveis adequados, é importante para a saúde. A “fama de mau” ocorre quando ele está em excesso no organismo. Prevenir, controlar e tratar são medidas essenciais para uma qualidade de vida adequada. É possível combater a doença, e a conscientização é o primeiro passo dessa jornada.

*Presidente da Sociedade Brasileira de Endocrinologia e Metabologia - Regional Minas Gerais (SBEM-MG)

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