Abastecer fica mais difícil na região Sul

Tatiana Moraes - Hoje em dia
07/10/2014 às 07:55.
Atualizado em 18/11/2021 às 04:30
 (Flávio Tavares)

(Flávio Tavares)

Nos últimos cinco anos, pelo menos uma dúzia de postos de gasolina encerraram as atividades na região Centro-Sul de Belo Horizonte. O motivo, de acordo com o diretor do Sindicato do Comércio Varejista de Derivados de Petróleo do Estado de Minas Gerais (Minaspetro), Bráulio Chaves, é o alto investimento necessário para manter em operação os estabelecimentos, somado à pequena margem de lucro da venda do combustível decorrente da competição acirrada.   A valorização dos terrenos também contribui para o encerramento de atividades de vários estabelecimentos, pois às vezes pode ser melhor repassar a área do que explorar a revenda de combustíveis com pouco lucro.   Belo Horizonte concentra 300 postos. Na Região Metropolitana de Belo Horizonte (RMBH) são 680. Segundo Chaves, a quantidade daqueles instalados na região Centro-Sul não é estimada, mas a expectativa é a de que haja uma diminuição considerável com o decorrer do tempo.     Vale lembrar que Belo Horizonte é a cidade com mais postos de gasolina do país, proporcionalmente à quantidade de veículos. Como reflexo, a competição de preços vai às alturas. “Não é à toa que o preço da gasolina, aqui, é muito mais barato do que em outras capitais”, diz o dirigente da entidade.   A tributação que incide sobre o combustível também influencia. O Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços (ICMS), de âmbito estadual, é de 27% para a gasolina, 19% para o etanol e 15% para o diesel. São as maiores alíquotas do país. “Mais de R$ 1 do litro do combustível é de impostos. Você pensa que está pagando por gasolina, etanol e diesel, mas está pagando imposto”, critica Chaves.
Além dos tributos, é necessário lembrar que o empresário precisa arcar com os custos de manutenção do terreno, como aluguel e Imposto Predial Territorial Urbano (IPTU) e mão de obra. No caso da mão de obra, além dos encargos trabalhistas, que praticamente dobram o valor do salário pago ao empregado, entram uniforme, benefícios e treinamentos.
  No fim das contas, sobra pouco, segundo o diretor da entidade. “É muito mais rentável operar um estacionamento, um prédio ou um hotel, por exemplo, do que um posto de gasolina na região Centro-Sul”, compara Chaves.

Basta prestar atenção na paisagem da cidade para perceber que alguns postos tradicionais deram lugar a prédios e hotéis. É o caso dos estabelecimentos localizados nas duas pontas da avenida Getúlio Vargas, nas esquinas com avenida do Contorno. “O metro quadrado nesta região é caro. É comum que os proprietários fechem o posto e vendam o terreno”, comenta Chaves.

Diversificação e concentração são saída

Se a margem de revenda do combustível é pequena, uma das saídas para aumentar o lucro é diversificar o negócio. Investir em troca de óleo, loja de conveniência e borracharia, por exemplo, atrai clientes. E a estratégia não vale apenas para postos da região Centro-Sul, afirma o proprietário do posto Estoril, localizado no Buritis, Região Oeste de Belo Horizonte, Fernando Ramos.


Ele explica que o objetivo dos serviços agregados é dar visibilidade e rotatividade de clientes ao posto. O combustível responde por 75% da receita do estabelecimento, enquanto os serviços adicionais, por 25%. “É uma forma de melhorar o caixa, mas é importante lembrar que os serviços sozinhos não são suficientes”, afirma.

Outra maneira de melhorar o lucro, de acordo com o diretor do Minaspetro, Bráulio Chaves, é consolidar o setor por meio de aquisições.

“Em ambientes muito competitivos, como o de postos de gasolina, é comum que haja uma concentração, ou seja, que um mesmo empresário tenha vários postos”, afirma. Dessa forma, apesar de não haver um aumento na margem de lucro, há uma elevação de escala e redução de custos.

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