Famílias gastam quase 12% da renda com pagamento de juros

Agência Brasil
10/11/2021 às 18:50.
Atualizado em 05/12/2021 às 06:13
Abono salarial, malha fina do IR e até loterias têm quantias paradas
 (Marcello Casal jr/ Agência Brasil)

Abono salarial, malha fina do IR e até loterias têm quantias paradas (Marcello Casal jr/ Agência Brasil)

Estudo da Federação do Comércio de Bens, Serviços e Turismo do Estado de São Paulo (FecomercioSP) aponta que 11,79% da renda das famílias ficaram comprometidos com pagamento de juros no primeiro semestre de 2021. Foram R$ 233,5 bilhões no período, o que equivale a cerca de 6% do Produto Interno Bruto (PIB) semestral e 73% do recurso injetado via auxílio emergencial no ano passado.

Segundo Altamiro Carvalho, assessor econômico da FecomercioSP, depois do aluguel, o gasto com juros é a segunda maior despesa dos brasileiros. “O juro é disseminado nas despesas de uma forma que as pessoas não têm consciência do volume que esse recurso representa no orçamento doméstico”, afirma o especialista.

O gasto com juros de empréstimos obtidos em operações de crédito nos seis primeiros meses de 2019, 2020 e 2021 ultrapassa, por exemplo, os custos anuais com educação, serviços e vestuário.

A análise aponta ainda que "o auxílio distribuído pelo governo federal, que poderia incentivar ainda mais o consumo das famílias foi bastante comprometido com a quitação de taxas, canalizadas pelo sistema financeiro".

“Se metade dos juros não tivesse sido paga, você injetaria na economia recursos para consumo das famílias. De uma forma muito impactante poderia estimular a produção, girar o nível da atividade econômica como um todo”, destaca Altamiro Carvalho. Ele lembra que o pagamento de juros vai para as instituições financeiras e volta para o mercado também na forma de juros.

A análise da FecomercioSP aponta também que a inadimplência entre as famílias brasileiras está sob controle. O valor dos empréstimos com atraso de mais de 90 dias teve queda de 14,4% no primeiro semestre de 2021, ficando em R$ 54,4 bilhões. A taxa de inadimplência era de 4,8% nos primeiros seis meses de 2019, 5,3% em 2020 e ficou em 4,1% de janeiro a junho de 2021.

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