Com a disparada de preços, mineiros apelam a diferentes estratégias para 'aliviar' a ceia de Natal

Leíse Costa
lcosta@hojeemdia.com.br
24/12/2021 às 07:46.
Atualizado em 29/12/2021 às 00:36
 (Hoje em Dia)

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A disparada do preço de itens tradicionais da ceia de Natal, com altas de até 74,86% em relação ao ano passado, fez mineiros apelarem a “jeitinhos” diferentes para salvar o jantar em família sem comprometer demais o orçamento. Depois de um 2020 marcado por reuniões menores, devido à pandemia de Covid, quem não abriu mão de celebrar a data trocou itens do cardápio, apelou para marcas mais baratas ou rateou o menu com os parentes, cabendo a cada pessoa contribuir com um prato. 

Não é para menos. Pesquisa do Mercado Mineiro escancarou a diferença no preço de vários itens. O quilo damasco seco, por exemplo, passou de R$ 47,74, em 2020, para R$ 83,48 neste ano. O de bacalhau do porto subiu de R$114,10 para R$155,15 (+36%) , enquanto o corte saithe passou de R$54,57 para R$69,03 (+26%). 

Por esse motivo, a aposentada Argentina Soares desistiu da bacalhoada. “Se eu pudesse comia só bacalhau, mas este ano não dá porque sei que está acima de R$90”, lamenta a idosa, que chamou apenas os filhos e as noras para ceia. “Nada de extravagância, está tudo muito caro”, diz.

Mesmo com o aumento de 10,18% no quilo do peru, que, em média, subiu de R$20,98 para R$23,12, a família de Evandro Vassalli não vai abrir mão de se reunir como em outros anos. “Tudo está pela hora da morte. As carnes são as mais caras mas, sinceramente, não vou substituir nada. Estamos falando de um ano em que ‘saímos’ da pandemia e é hora de rever toda minha família. Não sei é certo, mas vou extrapolar o orçamento”. 

Ele não sabe quanto vai gastar, mas diz que cada familiar deve contribuir com um prato. “Um leitão, uma salada tropical, vinagrete e farofa para acompanhamento”. 

Feliciano Abreu, responsável pela pesquisa, alerta que, no geral, os produtos importados tiveram aumentos bem acima da média em função do dólar. Passas, nozes, tâmaras, castanhas, frutas cristalizadas, ameixa seca são alimentos que subiram, respectivamente, 12%, 17%, 18%, 40%, 36% e 43% neste ano em relação a 2020.

“As frutas naturais são as únicas que tiveram quedas interessantes e podem auxiliar o consumidor”, diz. Segundo Feliciano, a dica é optar por uma ceia mais nacional do que importada. “Se possível, mesclar”.

Substituir é a estratégia da dona de casa Rose Lima. “Devo fazer chester com uma farofa, mas escolhi uma marca mais popular que está com um preço melhor. Se estiver muito caro, não compensa, prefiro substituir. Troco alguma castanha e compro ameixa que é mais em conta”. De fato, o reajuste da ameixa nacional foi um dos menores, 6% em relação ao preço médio de 2020. Porém, é preciso pesquisar porque o quilo da fruta é vendido entre R$15 e R$26,99, variação de 79,93%.

Segundo o economista do Ibmec, Paulo Casaca, as altas dos combustíveis impactam diretamente a ceia. “Preço da gasolina e diesel afeta todos os produtos. Além disso, os alimentos típicos do Natal vêm de uma cultura de inverno de países da América do Norte e Europa, por isso grande parte é importada, o que agrava ainda mais o encarecimento porque viemos de um ano com muita desvalorização do real”, explica. 

Criatividade

Mesmo com tantas altas, a nutricionista e doutora em Ciência de Alimentos Aline Amorim reforça que não é necessário comprar alimentos importados para garantir uma ceia rica e nutritiva. 

“Frutas cristalizadas, nozes, ameixas e outros itens podem ser substituídos pelas frutas da safras nacionais. Capriche nas preparações e invista em uma decoração diferente”, sugere. Mousse de maracujá e torta de creme branco com calda de abacaxi são exemplos de receitas mais viáveis no bolso.

“O brasileiro vai precisar usar a criatividade. Faça um chutney (tipo de molho de origem indiana feito com frutos, açúcar, vinagre e especiarias) de manga que harmoniza muito bem com carne de porco. Como sobremesa, também fica uma delícia maçã em caldas com canela feita na panela de pressão”.Clique para ampliar

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