O fim da tabela dirigida nas Eliminatórias da Copa do Mundo de 2018, que será na Rússia, aumenta ainda mais o caráter decisivo do clássico entre Argentina e Brasil, nesta quinta-feira, em Buenos Aires. Se durante mais de uma década o confronto entre as duas seleções era sempre agendado pelos cartolas para ocorrer apenas na sexta rodada, desta vez o sorteio colocou os rivais frente a frente já na terceira rodada e em situações nada confortáveis.

No Brasil, Dunga está pressionado a conquistar a primeira vitória fora de casa e contra um adversário de peso. Na Argentina, a tensão é maior porque a seleção ainda não venceu nas Eliminatórias e, para piorar, não terá Messi, Agüero e Tevez, todos machucados.

Desde as Eliminatórias para o Mundial de 2002, um acordo costurado pelo ex-presidente da CBF Ricardo Teixeira e o ex-presidente da AFA (Associação do Futebol Argentino) Julio Grondona, morto em 2014, garantia que as duas seleções se enfrentassem no meio da disputa pela vaga para a Copa do Mundo e nunca no começo ou no fim. Nas duas últimas rodadas, por exemplo, o Brasil jogava contra Bolívia e Venezuela, historicamente os adversários mais fracos do continente.

Agora, Conmebol e Fifa decidiram acabar com a ordem fixa de jogos estabelecida desde 2000. A sequência de jogos foi definida em sorteio realizado em julho, na Rússia. Nas Eliminatórias da América do Sul, as 10 seleções do continente se enfrentam em sistema de pontos corridas, em turno e returno.

Dunga encara o jogo contra a Argentina como uma "guerra" e já passou este espírito para os jogadores. O meia Lucas Lima, do Santos, por exemplo, classificou como uma "batalha" o jogo no estádio Monumental de Núñez. "Tem muita rivalidade por conta de toda grandeza desse clássico. Vai ser uma batalha. Temos consciência disso e estamos preparados pra mostrar nosso futebol, brigar e fazer nosso melhor em campo", disse.

Para o goleiro Cássio, nem mesmo o fato de Argentina estar desfalcada de seus principais jogadores e o Brasil contar com o retorno de Neymar tornam a seleção favorita. "Não podemos desmerecer ou menosprezar porque não joga o Messi. Argentina é muito forte, luta muito, briga muito, tem qualidade de poder ofensivo", afirmou.