Os últimos dados sobre a dívida líquida do setor público – União, Estados e municípios – mostram que ela estava no mês passado em R$ 1,6 trilhão. Isso equivale a 35% do Produto Interno Bruto (PIB). Não é muito, mas já esteve melhor: em agosto, a relação era de 33,8%. A desvalorização da moeda dos Estados Unidos vinha puxando essa dívida para cima, pois o Brasil é credor em dólar.

Ao mesmo tempo, a alta da Taxa Selic implica mais gastos do governo com pagamento dos juros. Essa taxa estava em 7,25% ao ano, em abril, e chegou neste mês a 9,5%, voltando o país a ter os juros reais – descontada a inflação – mais altos do mundo.

Não é uma situação confortável. A valorização do real frente ao dólar incentiva a viagem de brasileiros a passeio e, principalmente, para fazer compras. E dificulta as exportações de nossas indústrias, ao mesmo tempo em que torna mais difícil para elas competirem no mercado interno com os produtos vindos de fora. Essa questão começa a ser resolvida. Quinta, o dólar subiu 1,93% e, no ano, a alta passa de 9%.

No entanto, não é bom o resultado de setembro, divulgado, na quinta-feira (31), pelo Banco Central. As despesas primárias do setor público superaram em R$ 9 bilhões as receitas. É o pior déficit para um mês de setembro desde 2002, ano em que começou o estudo. E a diferença negativa chega a R$ 22,9 bilhões, quando se contabilizam os juros com pagamento da dívida pública.

Economistas que defendem nova elevação da Selic, para não pôr em risco o controle da inflação, pregam também que o setor público reduza suas despesas. Fácil de falar, difícil de fazer. Pois o governo é pressionado nas ruas a melhorar os serviços públicos, a investir mais. Quinta, parte da Polícia Federal paralisou suas atividades, cobrando melhorias. No Congresso Nacional, deputados aprovaram projeto de lei para criar 1.437 cargos no Ministério Público da União e fortalecer a gestão administrativa.

As últimas descobertas sobre corrupção em São Paulo reforçam a necessidade de o poder público se estruturar para evitar que receitas de impostos sejam desviadas. Infelizmente, isso tem ocorrido, qualquer que seja o partido no governo. A Prefeitura de São Paulo, a mais rica e também a mais endividada, tenta descobrir os culpados por um desvio de R$ 500 milhões, ao longo de anos. Recentemente, foi criada a Controladoria Geral do Município, e se iniciou a sério a investigação.

Um alerta às prefeituras, Brasil afora.