Coworkings reagem às perdas do início da pandemia e registram expansão

Leíse Costa
leise.costa@hojeemdia.com.br
01/12/2021 às 08:34.
Atualizado em 08/12/2021 às 01:11
 (Beercoffee/ Divulgação)

(Beercoffee/ Divulgação)

Depois de amargar prejuízos e mesmo fechamento de unidades nos primeiros meses da pandemia, o mercado de coworking reagiu fortemente e apresenta hoje números que atestam a consolidação desse modelo, favorecido sobretudo pela adesão cada vez maior ao formato híbrido de trabalho.

Conforme o pioneiro Pedro Vasconcellos – mineiro de Belo Horizonte que fundou, junto com a irmã, a startup BeerOrCoffee, em 2015 – o mercado de coworkings chegou a perder 25% da receita nos primeiros três meses da pandemia em 2020 e alguns não conseguiram sobreviver, mas, no último terceiro trimestre de 2021, as buscas pelos espaços compartilhados cresceram acima de 200% em relação ao segundo trimestre deste ano. “Por causa da pandemia, as empresas estão montando um modelo de trabalho híbrido, que é o futuro.

As empresas deixam o colaborador trabalhar de casa, escritório e coworkings”, relata Pedro. A aposta no mercado neste segmento é tão alta que a empresa acaba de receber um investimento de US$ 10 milhões (cerca de R$ 55 milhões) para expandir a solução pela América Latina.

A startup BeerOrCoffee inovou com a possibilidade de um officepass – uma assinatura que permite que empresas possibilitem que suas equipes trabalhem de qualquer lugar dos coworkings.

Economia

Ele conta que, entre 2019 e 2021, a startup dobrou de tamanho. E a expectativa para o ano que vem é que a plataforma cresça em até seis vezes. “O mercado de coworking hoje representa apenas 2,5% do segmento de escritórios tradicionais. A projeção é que, até 2025, esse índice seja de 30%”, afirma. 

Segundo o empreendedor, Fiat e iFood são exemplos de empresas que, mesmo com a sede na capital, utilizam a modalidade para proporcionar que o funcionário trabalhe de diferentes bairros de Belo Horizonte. As empresas chegam a ter uma economia de até 59% em custos em relação ao modelo tradicional. “O case do Inter é emblemático. Eles tinham mais de 40 sedes pelo Brasil, pagando alugueis de salas, e, no primeiro ano que nos contrataram, economizaram mais de R$1 milhão em contratos e, hoje, ele usa a nossa solução para testar cidades sem precisar alugar espaços. Eles mudam tão fácil quanto chamar um Uber”, relata.

Consolidação do formato híbrido impôs novos modelos de funcionamento e contratação​

Aberto em 2013, o espaço Guaja, localizado no alto da Afonso Pena, na região centro-sul da capital, é um dos pioneiros na capital. Ele vinha em uma trajetória de crescimento, mas tudo mudou em 2020 com a pandemia. “O Guaja encerrrou as atividades em 2020 e não havia pretensão de retornar, até que surgiu uma parceria que possibilitou nossa retomada em março de 2021”, conta Stella Nardy, líder de comunicação do coworking. Guaja Coworking/ Divulgação / N/A

VOLTA – O Guaja, na Afonso Pena, chegou a fechar, mas reabriu em março

Desde que retomou as atividades, Stella conta que a procura aumentou em 12 vezes no comparativo entre maio e novembro. “Nós conseguimos retomar o movimento de antes, mas com novas características na demanda. Antes, as pessoas ficavam restritas a 100% remoto ou 100% nas empresas. Agora, o movimento é híbrido devido às novas configurações de trabalho impostas pela pandemia”.

Dados do Censo da Associação Nacional de Coworking e Escritórios Virtuais de 2021 apontam que o mercado engloba 1.647 coworkings ativos nas nos 27 Estados brasileiros. Minas Gerais aparece em segundo lugar no ranking, com 123 espaços, ficando atrás apenas de São Paulo, que tem 531 coworkings. 

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