Fiemg destaca potencial do acordo UE–Mercosul, mas defende cautela para avaliar impactos
Minas mantém relação comercial sólida e superavitária com o bloco europeu, o que reforça a importância estratégica do acordo

O acordo entre a União Europeia e o Mercosul, aprovado nesta sexta-feira (9), foi avaliado de forma positiva, mas com ressalvas, pela Federação das Indústrias de Minas Gerais (Fiemg). A entidade reconhece o marco no comércio internacional, com efeitos diretos para a economia mineira. Porém, afirma que a medida deve ser analisada com cautela e atenção, exigindo "acompanhamento cuidadoso".
Minas mantém relação comercial sólida e superavitária com o bloco europeu, o que reforça a importância estratégica do acordo. Entre 2021 e 2025, as exportações mineiras para a União Europeia somaram cerca de US$ 31,0 bilhões, enquanto as importações alcançaram US$ 13,38 bilhões, resultando em saldo positivo de US$ 17,62 bilhões. Segundo a Fiemg, os dados evidenciam o peso do mercado europeu para a indústria estadual.
A pauta exportadora mineira para a União Europeia é concentrada principalmente em café (58%), minério de ferro (9%) e ferroligas (8%), além de insumos e bens industriais de média e média-alta intensidade tecnológica. Já as importações provenientes do bloco europeu envolvem, majoritariamente, máquinas e equipamentos (27%), produtos farmacêuticos (11%) e itens do setor automotivo, sobretudo partes e peças (9%), fundamentais para a modernização da indústria instalada em Minas Gerais.
"O acordo pode ampliar oportunidades ao facilitar o acesso a um mercado exigente e de alto valor agregado, beneficiando setores como café, mineração, siderurgia, celulose e cadeias industriais integradas, como a automotiva e de autopeças. Ao mesmo tempo, a Fiemg destaca a necessidade de atenção à implementação do acordo, especialmente para segmentos mais sensíveis à concorrência externa, além de atividades que dependem do cumprimento de exigências sanitárias e regulatórias específicas", informou a Fiemg.
A Federal ainda reforçou a importância de períodos de adaptação e de políticas de apoio à competitividade, "para que a abertura comercial fortaleça a indústria mineira, preserve empregos e amplie a capacidade exportadora do Estado".