Energia elétrica

Mesmo com chuvas, conta de luz deve seguir mais cara até 2025; saiba os motivos

Hermano Chiodi
hcfreitas@hojeemdia.com.br
Publicado em 19/02/2022 às 06:30.
 (Cristiano Machado/Arquivo Hoje em Dia)

(Cristiano Machado/Arquivo Hoje em Dia)

Mesmo com as chuvas que vêm caindo no país desde o final do ano passado – e com isso enchendo os reservatórios das hidrelétricas–, o brasileiro deve continuar pagando mais caro pelo consumo de energia elétrica pelo menos até o ano de 2025. Esse cenário é o mais provável em razão de o país ter comprado energia termelétrica em um leilão emergencial, em outubro de 2021, por um valor maior que o pago às hidrelétricas.

O custeio dessa energia mais cara deve ser pago gradativamente, impactando na conta final do consumidor até 2025, conforme explica Braz Justi, CEO da Esfera, uma consultoria especializada em comercialização e mercado de energia. “Foi uma precaução, pois o nível dos reservatórios das hidrelétricas estava na média de 16% e poderia ter problemas para produção. Essa energia ainda está sendo fornecida e o pagamento por ela será feito pelos próximos cinco anos”, diz.

Para o professor da Unifei Carlos Barreira Martinez, outro fator que continuará pressionando o preço da energia para cima é a variação cambial, com a desvalorização do real frente ao dólar. “Energia é uma commodity e tem o valor cotado em dólar; os ativos da produção hidrelétrica e eólica também são dolarizados e, por causa disso, enquanto o dólar estiver alto a energia vai ficar alta”, explicou.

Segundo Martinez, a tendência do setor é que “na melhor das hipóteses, exista uma estabilidade com pequena alta no segundo semestre, mas não deve reduzir o preço”, diz.

Chuvas

As chuvas fizeram subir os níveis dos reservatórios das hidrelétricas a níveis registrados em 2012, mas ainda não é o suficiente. “Nós passamos de 16% para 58% nos reservatórios do sistema Sudeste-Centro-oeste. Mas ainda é pouco. Se enfrentarmos novo período de seca rigorosa no segundo semestre devemos enfrentar novos problemas na produção de energia”, diz Carlos Martinez.

De acordo com o Operador Nacional do Sistema (ONS), apenas os reservatórios da região Sul não tiveram aumento da reserva em fevereiro. Norte, Nordeste, Sudeste e Centro-oeste conseguiram acumular água. Contudo, mesmo havendo uma recuperação do setor em relação ao período de seca, a carga disponível no Sistema Interligado Nacional (SIN) aumentou apenas 0,1% na comparação com fevereiro do ano passado. 

Segundo Braz Justi, as chuvas podem diminuir o preço da energia comercializada no chamado “mercado livre de energia”, onde grandes consumidores podem adquirir energia diretamente das geradoras, mas para o consumidor residencial final não haverá redução de preços.

Bandeira dee escassez

A Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) informou que a bandeira tarifária de escassez hídrica irá vigorar pelo menos até abril. Segundo a agência, “ela foi criada por determinação da Câmara de Regras Excepcionais para Gestão Hidroenergética (Creg) para custear o acionamento excepcional de usinas térmicas e importação de energia e equilibrar as receitas e despesas da Conta Bandeiras até abril de 2022”.

De acordo com o professor Carlos Martinez, “as bandeiras não são o problema principal. Elas foram criadas com o objetivo de controlar o consumo de um combustível que está acabando mesmo, a energia”, disse. 

Na opinião dele, sem as bandeiras, a situação estaria ainda pior. “As termelétricas são uma saída de emergência, oferecem energia rápida, mas apostar nelas como solução é ruim. O custo ambiental e econômico é muito alto”, disse o professor. “Erramos muito no passado. Para evitar problemas futuros, temos que ampliar hidrelétricas e alavancar a energia eólica e solar”, concluiu. 

A saída pelas energias renováveis também é a aposta de Braz Justi, da Esfera. Segundo ele, o Brasil tem caminhos promissores na produção de energia renováveis. Ele cita inclusive a produção eólica em alto mar, autorizada recentemente pela legislação, mas conclui que é preciso investir para evitar problemas futuros.

Questinonada sobre o comportamento dos preços da energia elétrica em Minas Gerais, A Cemig informou que o índice é definido pela Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel), devendo ser divulgado somente em maio. A Cemig não apresenta expectativa de valores, mas reforçou que, apesar do nível alto dos reservatórios de água, a Aneel deve considerar o uso das termelétricas ao definir o reajuste da tarifa.

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