'Afetos em rede' é tema da 21ª edição do Festival Estudantil de Teatro, com início nesta sexta

Da Redação
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04/11/2021 às 13:39.
Atualizado em 05/12/2021 às 06:11
 (ANNE SOUZA/DIVULGAÇÃO)

(ANNE SOUZA/DIVULGAÇÃO)

A partir desta sexta-feira acontece a 21ª edição do Festival Estudantil de Teatro, um dos mais longevos e importantes eventos nacionais na área de artes cênicas e educação. A programação de 2021 será totalmente on-line, apresentando oficinas, lives, webnário e uma mostra de trabalhos artísticos inédita, em formatos diversos (cenas curtas, websérie, podcast, performance, leitura dramática, formatos híbridos etc.).

Na abertura, os fundadores Bárbara Bof, Byron O’neill e Eliezer Sampaio dividem histórias com o público e debatem sobre a importância da permanência de um festival de teatro estudantil como o FETO. A mesa “Um caminho a muitas mãos” começa às 19h, ao vivo, sob mediação de Naiara Jardim. O público acompanha as transmissões e exibições do festival pelo Facebook, Instagram e YouTube @FETOteatro.

O tema escolhido é 'Afetos em rede', "uma das principais características do festival desde o seu nascimento em 2000”, de acordo com Bárbara Bof. Ela conta que “o FETO é um lugar de afeto, apoio, encontro, feito verdadeiramente para os estudantes". Há alguns anos afastada da organização do festival, a produtora afirma que “em outros tempos era inimaginável pensar uma edição totalmente virtual, sem palco, sem troca”. 

Para ela, o festival resiste há décadas porque foi criado “com o desejo de experimentar e de dar visibilidade e espaço para as pessoas em fase de formação, reconhecendo as diferentes vozes espalhadas pelo país. É impossível pensar a construção e evolução de qualquer processo que não inclua outras gerações”, conclui.

Para a coordenadora Valentina Vandeveld, “apesar de seguirmos em meio à pandemia e ao isolamento, agora temos vacina e uma ponta de esperança”. Mas adianta que nesta edição, “ainda vamos continuar no distanciamento e na virtualidade por acreditar que é cedo para uma reunião de pessoas do porte do FETO. Os afetos seguem em rede, potentes o suficiente para mais um ano, quando a gente possa se encontrar e se abraçar em segurança”, afirma.

Para esta edição foram selecionados 20 experimentos com pontes entre o teatro e as ferramentas digitais, que ainda estão no papel ou em fase de desenvolvimento. “A maioria das propostas veio por escrito, ainda são uma ideia do que virá. Mas uma coisa que dá para perceber é a aproximação com o cinema e o documentário. As pessoas já estão manipulando com mais propriedade essa materialidade do audiovisual e experimentado mais, com menos preocupação de acertar ou errar”, observa a atriz e professora de teatro Gláucia Vandeveld, que assina a curadoria do FETO ao lado de Michelle Sá e Marina Arthuzzi. Ela acrescenta que, “no ano passado, existia a preocupação se era teatro ou não era teatro. Mas agora nosso pensamento é manter os artistas em processo de criação”, diz.

Os selecionados estão inseridos nas modalidades: criações de minuto (propostas de até 2 minutos para feeds do Instagram), experimentos cênicos (propostas de 3 a 10 minutos para o Youtube) e  ideias confinadas (propostas com acompanhamento de tutor indicado pelo festival, com duração de 50 minutos e transmissão também pelo Youtube). “O feminismo, as questões da negritude, da invisibilidade sobretudo das mulheres negras, são temáticas recorrentes nas últimas edições. Uma nova esse ano foi a de saúde mental. Por essa pandemia ter durado muito além do que a gente podia imaginar, muitos estudantes, professores e artistas viveram situações de adoecimento. A imigração foi outra novidade também. Em um dos trabalhos temos vozes de imigrantes da Venezuela”, acrescenta Gláucia.

Além de resenhas diárias dos jornalistas e críticos teatrais Soraya Martins e Bremmer Bramma, os trabalhos inéditos também serão comentados por convidados como Nina Caetano, Sara Rojo e outros, durante os Olhares - tradicionais bate-papos e rodas de conversa, que nesta edição, ocorrem mais uma vez no modo virtual. Serão ao todo, quatro rodas de conversa, via zoom, para a categoria Teatro na Escola, e outras quatro abertas ao público, na categoria Escola de Teatro.

Já as lives de bate-papo integram a Mostra Memória LAB., uma programação de aquecimento do FETO que propõe ao público uma viagem ao tempo, com oficinas e a exibição de dez trabalhos apresentados em edições anteriores. “O objetivo é levar um pouco da história de resistência do festival para as novas gerações. Neste ano, nos voltamos para espetáculos que fizeram passagens marcantes pelo FETO e que dialogam com o panorama dessa história de 21 anos, pensando também na diversidade das regiões do Brasil e nos diferentes anos de apresentação das peças”, explica Cristiano Diniz, que faz parte da equipe de curadoria da Mostra, neste ano realizada com recursos da Lei Aldyr Blanc.  

As oficinas também serão realizadas virtualmente, via zoom, e estão com inscrições abertas. A Oficina Marketing de conteúdo e Redes Sociais, ministrada por Mateus Carneiro (Sabará) e Giovanna  Heliodoro (BH), propõe usos e apropriações das redes sociais por parte dos usuários, na construção da identidade, visibilidade, vigilância e privacidade. Já a Oficina Projeto de Encen[ação], com Camila Vendramini, Júlia Camargos e Manu Pessoa, pretende trabalhar a encenação de forma prática através de experimentos com texto, exercícios de composição, debates e compartilhamentos das materializações artísticas. E por último, a oficina de Contação de Histórias da Cia Bando, traz o compartilhamento de narração de histórias, com práticas e discussões sobre temas presentes em contos na escrita feminina e negra de Cidinha da Silva.

E para encerar, no dia 13 de novembro, o tradicional Cafeto traz, sob mediação de Michelle Sá, o tema Formação em teatro hoje - novas práticas de ensino, com Karina Figueiredo (MT), Fredda Amorim (MG), Marcos Clóvis Fogaça (SP) e Onisajé (BA). “A proposta é refletir sobre os caminhos e práticas do ensino teatral nas escolas. O que as escolas de teatro têm repensado diante de tantas pautas urgentes e vozes emergentes? Como têm se preparado e se organizado para rever o pensamento eurocêntrico, trazendo um olhar decolonial para a formação? Quais instituições hoje propõem metodologias e processos criativos que expandem o campo do conhecimento, com reflexões sobre diversidade de classe, etnia, gênero?”, explica Michelle Sá.

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