Gal Costa volta a apostar em linguagem moderna

Cinthya Oliveira - Hoje em Dia
31/05/2015 às 12:03.
Atualizado em 17/11/2021 às 00:17
 (Perffexx/Divulgação)

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Lançado em 2011, “Recanto” aproximou Gal Costa de gerações mais jovens que desconheciam a capacidade da cantora de transitar pelas mais diferentes linguagens. O trabalho comandado por Caetano e Moreno Veloso foi tão impactante que a artista apresentou o show por quatro anos – e desejou que seu próximo trabalho seguisse o mesmo caminho.   E, realmente, “Estratosférica” (Sony Music) tem características compartilhadas com o antecessor: o uso de elementos eletrônicos, o diálogo com elementos contemporâneos, a parceria com a juventude.    “Queria um disco que não fosse igual ao ‘Recanto’, mas que tivesse uma relação com ele. Disse aos produtores: ‘quero um álbum arrojado, que não seja careta. Que seja palatável, mas também tenha um som eletrônico e provoque uma estranheza”, explica a artista de 69 anos.    Parceiros   Para que a ligação com “Recanto” acontecesse, Gal convidou, para a produção, seu afilhado, Moreno Veloso, e Kassin, que também integrou a equipe do trabalho anterior. No início do processo, a cantora decidiu inserir mais um profissional. Em encontro com o jornalista Marcus Preto, veio o desejo de trabalhar em conjunto – e o novo disco pareceu a ocasião perfeita. Foi ele o incumbido de levantar o repertório.    Após ouvirem muitas e varias opções, fecharam em 16 faixas – 12 no vinil, duas bônus para o CD e outras duas para o iTunes.    MISCELÂNEA   Nomes destacados da “nova MPB” estão nos créditos como compositores – como Mallu Magalhães, Marcelo Camelo, Jonas Sá, Lirinha –, assim como veteranos que nunca deixaram de ser joviais – Tom Zé, Caetano Veloso, Guilherme Arantes, Zé Miguel Wisnik, Arnaldo Antunes e Marisa Monte.    Há espaço ainda para os diálogos entre gerações: “Dez Anjos” é uma parceria de Milton Nascimento com Criolo, enquanto “Você Me Deu” é a primeira parceria registrada de Caetano com o filho Zeca.    50 anos   Não houve uma intenção inicial de associar o álbum aos 50 anos de carreira da cantora, mas é impossível não colocá-lo dessa maneira. Afinal, se manter interessante após cinco décadas de trabalho e quase 40 discos é mérito de poucos.    Segundo Gal, sua postura sobre a música e palco permanecem como nos tempos de juventude, quando impressionava pela voz de graves e agudos inimitáveis.    “Sou uma mulher maduríssima, mas de cabeça jovem, aberta, com vontade de ser contemporânea. Com desejos de dar saltos, como fiz com ‘Recanto’. A diferença é que hoje faço tudo com a maior tranquilidade”, avalia.

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