Três cantoras paraenses que você deve conhecer

Cinthya Oliveira - Hoje em Dia
17/11/2014 às 08:24.
Atualizado em 18/11/2021 às 05:02
 (Divulgação)

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Que o Pará está na moda, todo mundo sabe. Basta ouvir os trabalhos de boa parte dos grandes nomes da MPB para perceber que o carimbó está em alta. O que falta todo o resto do Brasil saber é que a cena musical de Belém vai muito além de Calypso, Gaby Amarantos, Felipe Cordeiro e Lia Sophia.    A Natura Musical colocou no mercado três álbuns de excelentes cantoras paraenses que ainda não receberam holofotes. Natália Matos, Camila Honda e Juliana Sinimbú estreiam com propostas bem diferentes, mas também compartilham semelhanças: são bonitas e talentosas (inclusive como compositoras), dialogam com a música paraense em vários momentos, mergulham no universo pop e escolheram ótimos produtores para comandar seus trabalhos.   Natália Matos é uma cantora que merece muita atenção. O álbum homônimo mostra que a moça andou trafegando por boas turmas em seus oito anos morando em São Paulo. A produção é de Guilherme Kastrup e há participações de Rodrigo Campos, Kiko Dinucci, Felipe Cordeiro, Zeca Baleiro, Ricardo Herz (que oferece um bom contraponto aos arranjos pops com seu violino), entre outros destacados da cena paulistana.    No disco recém-lançado, ela mostra que é boa compositora (como em “Pouca Luz”) e que escolhe bem o repertório – aqui estão composições de paulistas, como Romulo Fróes e Kiko Dinucci, e paraenses, como Dona Onete e Ronaldo Silva.    Fonte caseira   Das três cantoras, a que deixa mais claro que bebe bastante da fonte caseira é Juliana Sinimbú (que passou pelo “Festival Natura Musical” na Praça da Estação). Em “Una”, é clara a influência do carimbó e da guitarrada em todo o repertório, mas há uma mescla com uma sonoridade pop contemporânea, graças ao produtor, Donatinho.    A maior parte das faixas é de compositores paraenses – além da própria Juliana, estão aqui Almirzinho Gabriel, Dona Onete e outros. Mas os músicos que gravaram o álbum são da nata musical do Rio de Janeiro: Alberto Continentino, Kassin, Stephane San Juan.   Destaque para “Vodka”, música que Juliana compartilha na composição e na voz com o pernambucano Otto. Uma música moderninha e cheia de sensualidade.   Cordeiro   Camila Honda escolheu o mais prestigiado artista paraense do momento para ser seu produtor: Felipe Cordeiro. Essa informação já mostra ao ouvinte que boas misturas dançantes serão feitas ao longo das dez faixas.    Por sinal, o artista também solta a voz, além de tocar vários instrumentos na gravação. Ele aparece em “Depois que a Chuva Passar”, composição dividida com a própria cantora.    Em “Baile Saudoso”, música autoral que abre o repertório, Camila se apresenta como uma legítima paraense. Trata-se de um calipso atualizado, bem puxado para um pop rock universal.    Interessante também são suas regravações. “Fora de Área”, faixa do álbum “Sonhando Devagar”, de Kassin, ganhou uma versão fofa e de tonalidade ainda mais pop.    Já “Aparelhagem de Apartamento”, do grupo roqueiro paraense Molho Negro, ganhou uma cara de rock praiano. Para quem não sabe, essa composição é uma sátira sobre o sucesso que a música paraense tem feito na classe média do Sudeste.

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