Ele fez o que pôde. Foi muito além dos quatro gols que marcou nesta Copa. Levou pancadas por todos os lados e desequilibrou na maioria das vezes em que esteve em campo. Era sempre caçado nos jogos, até que conseguiram tirá-lo do Mundial.
 
Neymar foi o grande destaque da Seleção Brasileira nas cinco primeiras partidas da Copa do Mundo, em casa. Mas chegou a hora de a equipe atuar sem ele. Nesta terça-feira (8), às 17h, diante da Alemanha, no Mineirão, pelas semifinais, o jovem craque será apenas mais um telespectador em frente à televisão torcendo para que os companheiros coloquem o Brasil na grande final, domingo, no Maracanã.
 
Quis o destino que o primeiro desafio da Seleção sem o seu principal atleta acontecesse justamente diante do adversário mais complicado, até agora, no torneio, pelo menos na teoria.
 
Entre Croácia, México, Camarões, Chile e Colômbia, nenhum conquistou um título Mundial. Já os alemães têm três. Sonhando com o sexto título no currículo, a Seleção Brasileira tem agora que mostrar que há futebol mesmo com a perda do camisa 10.
 
Enquanto muitos brasileiros estão pessimistas por causa do desfalque, os comandados do técnico Felipão prometem se desdobrar dentro das quatro linhas para provar que a Seleção não é tão dependente do atacante. Há quem aposte que o time possa render mais não tendo a obrigação de jogar durante os 90 minutos, ou mais, em função de um único jogador.
 
Mas, por outro lado, os atletas e os torcedores precisam superar o trauma ocorrido após a notícia do corte do atacante do Barcelona. Desde que o médico José Luiz Runco confirmou, na noite da última sexta-feira, a gravidade da lesão de Neymar, um sentimento de pânico tomou conta do país.
 
Pela internet, nos estádios, em Teresópolis e até na porta da casa do craque, todos tentavam passar força ao atleta.
 
É justamente esta corrente para frente que precisa contagiar o Gigante da Pampulha mais tarde, para que o mineiro Fred e companhia consigam carimbar o passaporte para a decisão.
 
RETRANCA
 
Papéis invertidos no confronto histórico
 
Historicamente, o confronto entre Brasil e Alemanha foi marcado pelo duelo do habilidoso ataque brasileiro contra a sempre forte defesa alemã.
 
Porém, quando as duas seleções pisarem o gramado do Mineirão, logo mais, acontecerá uma interessante inversão de papéis. Atualmente, o Brasil é dono de uma das melhores defesas do mundo, enquanto a Alemanha possui um dos melhores setores de ataque.
 
Por causa do segundo amarelo, o capitão Thiago Silva fica de fora do confronto. Mesmo assim, o Mineirão será palco, nesta tarde, de um emocionante duelo entre David Luiz e Dante contra Thomaz Müller e Klose. A retaguarda brasileira foi decisiva para ajudar o goleiro Julio Cesar a levar apenas quatro gols até agora, sendo dois na fase classificatória (Croácia e Camarões) e dois no mata-mata contra Chile e Colômbia.
 
GOLEADORES
 
Mas, para o duelo desta terça-feira, é bom os brasileiros redobrarem a atenção. Os atacantes alemães estufaram as redes adversárias sete vezes na primeira fase, quatro contra Portugal, dois diante de Gana e um frente aos Estados Unidos, além de dois na Argélia, nas oitavas, e um na França, nas quartas.
 
O que se espera é que quando a bola rolar nesta terça, no Gigante da Pampulha, às 17h, os brasileiros não sofram tanto quanto no jogo contra o Chile, no mesmo palco, que fez os corações verdes e amarelos baterem a mil nas arquibancadas.