Ayrton Senna é um fenômeno a ser estudado. Da tragédia em Ímola (Itália), que tirou a vida do maior piloto de Fórmula 1 da história do Brasil, em 1994, até os dias hoje, passaram-se 22 anos. Mesmo assim, de maneira impressionante, a idolatria ao paulista parece ser cada dia maior e sem limites.

Nesta quinta-feira (3), inclusive, completam-se 25 anos da vitória de número 33 da carreira do tricampeão mundial. O grande prêmio de Adelaide, na Austrália, marcaria também o encerramento da temporada do último caneco conquistado pelo eterno herói nacional.

Vivo no coração de muitos brasileiros, Senna tem sua história passada de pai para filho, e seus livros, DVDs e outros diversos artigos movimentam o mercado dos colecionadores.

ayrton senna

"Comecei a acompanhar o Ayrton em 1988 (temporada do primeiro título mundial do piloto), ano em que meu pai foi até o autódromo de Jacarepaguá no Rio de Janeiro para o Grande Prêmio do Brasil. Ao ganhar alguns presentes relacionados a ele, não consegui mais largar da TV em dia de corrida", conta o arquiteto Guilherme Simão, de 34 anos.

"De 1989 em diante, não consegui mais parar de acompanhar. Chorei muito quando ele não conseguiu ganhar o título de 89 por pura politicagem", completa.

Fã incondicional do temperamento, da dedicação e da linha de conduta do ex-piloto, Guilherme foi além do gosto por objetos relacionados ao ídolo e resolveu eternizar a paixão na pele.

No pulso esquerdo, ele tatuou "Ayrton Senna". A explicação? "Estava difícil achar um lugar bacana
e como pulso era uma coisa que ele tinha muito forte em tudo que fazia, fiz no pulso", diz.

A coleção

Dono de um arsenal considerável de objetos relacionados a Senna, o arquiteto, que mora em Divinópolis, na região Centro-Oeste de Minas Gerais, não se dá por satisfeito com a coleção. Inquieto, ele espera aumentá-la cada vez mais.

"Como os ítens relacionados ao Senna sempre foram muito caros, especialmente depois de sua morte, só consegui começar uma coleção quando tive minha independência financeira", relata Simão.

"Hoje compro o que posso para tornar minha coleção cada vez maior. Desde ítens vendidos em bancas de revistas, até produtos importados da Alemanha, Inglaterra, Japão etc,; além de compras e negócios feitos com outros colecionadores", conclui.

Ainda segundo o colecionador, é quase impossível ter todos itens. No momento ele negocina uma réplica em escala 1/18 do carro de Nigel Mansell, onde Senna pegou uma carona, em 1992. Peça que chega a valer mais de R$ 1.200,00.

Sobre a morte de Senna, em 1º de maio de 1994, Guilherme diz ter sido o divisor de águas na sua paixão pelo esporte. A batida, no Grande Prêmio de San Marino, em Ímola, jamais saiu da cabeça do fã.

"Eu tinha 12 anos e vi meu ídolo não sair do carro com suas próprias pernas. Fiquei griatando sozinho para que ele se levantasse", lamenta. Não acompanhei mais de perto a corridas de Fórmula 1. Via esporadicamente", acrescenta.


Temporada do tricampeonato

Se nos três anos anteriores o rival a ser batido era o francês Alain Prost,superado em 1988 e 1990 e campeão em 1989, a temporada do Mundial de Fórmula 1 de1991 foi marcada pelo duelo entre Ayrton Senna e Nigel Mansell. Prost viveu um ano desastroso que culminou com a dispensa da Ferrari mas o britânico, contando com um carro desenvolvido pelo mago Adrian Newey, se mostrou um oponente à altura do paulista.

Senna começou o ano vencendo nos EUA e, em Interlagos, protagonizou um dos momentos mais impressionantes da vitoriosa carreira. A bordo da McLaren Honda, liderava com folga, até que começou a ter problemas no câmbio. Uma a uma, perdeu todas as marchas, menos a quarta, e com ela resistiu à recuperação de Riccardo Patrese para triunfar pela primeira vez em casa, sendo carregado por um público em delírio.

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Mansell não se mostrava particularmente ameaçador na primeira metade do campeonato, mas, na segunda, conseguiu uma sequência de três vitórias que o deixou com Senna na alça de mira. Ainda levou a melhor na Itália e na Espanha, mas desembarcou no Japão obrigado a superar o brasileiro para adiar a definição do campeonato. A pole foi do companheiro de Senna, Gerhard Berger, com as duas McLarens na primeira fila e a Williams logo atrás.

As posições se mantinham, mas Mansell precisava atacar e, no início da décima volta, perdeu o ponto de freada no fim da reta dos boxes, abandonando na caixa de brita. Com as paradas nos boxes, Senna assumiu a ponta à frente de Berger mas, como não precisava da vitória para festejar o tri, dos boxes veio o pedido para que deixasse o austríaco receber a bandeirada na frente. Segundo a lenda, a contragosto, ele obedeceu, para em seguida fazer a festa pela terceira vez em solo japonês.

 

Confira parte da coleção do arquiteto mineiro Guilherme Simão