“Não existe gol feio, feio é não fazer gol”. As frases e os gols marcaram a trajetória de Dario, um dos maiores centroavantes da história do futebol brasileiro, que teve na camisa do Atlético sua marca maior. E ele se vestiu de alvinegro pela última vez exatamente num 6 de abril, em 1979, num amistoso contra o Flamengo, que teve Pelé, no Maracanã, com a renda sendo destinada às vítimas das enchentes do Sudeste naquele ano.

Este jogo pode ser considerado o marco para a rivalidade entre os dois clubes, acirrada após a decisão do Brasileirão de 1980 e o jogo-desempate pela primeira fase da Libertadores de 1981. E ainda está vivo na memória de Dadá Maravilha.

Dario ex-jogador do Atlético

Antes do gol do título brasileiro de 1971, Dario tinha sido o primeiro jogador do clube a disputar e vencer uma Copa do Mundo. Isso aconteceu em 1970, no México

“Perdemos de 5 a 1. Marcelo fez o gol do Atlético. Aquilo foi cruel para a gente. De maneira alguma poderíamos perder de cinco para o Flamengo, pois nosso time era casca grossa. Nosso azar foi que fizemos 1 a 0, gol do Marcelo, e o Flamengo estava com o Pelé. Ele já tinha largado o futebol, meio devagar, e a gente estava indo em cima do Flamengo. Mas aí, no segundo tempo, o Zico arrebentou com a gente. Ali surgiu uma mágoa muito grande, por tomar de cinco do Flamengo”, recorda Dario.

História

Na véspera do aniversário da sua última partida pelo Atlético, Dario definiu o que significa o clube para ele: “o Atlético na minha vida foi um pai, uma mãe, uma avó, um avô. Eu era um ilustre desconhecido. Saí do Campo Grande, time pequeno do Rio. Fiquei dois anos apanhando, pois tecnicamente era realmente horroroso. Caia em cima da bola. Nos treinos, eles me davam bola de curva, de propósito, eu dominava na canela e todo mundo ria. Até chegar o Yustrich e essa história mudar”.

E a mudança dessa história não foi fácil, como relata o ex-centroavante: “Quando chegou ao Atlético, Yustrich foi ao Rio dar uma entrevista na Rádio Globo. E os jornalistas, que tinham me visto no Campo Grande, encheram minha bola. Disseram que no alto ninguém ganhava de mim. Nem na corrida. Quando ele chegou ao Atlético e falou de mim, os caras riram. Disseram que eu era péssimo, tropeçava na bola. Eu não treinava. Era reserva do reserva da cozinheira. Quando ele me botou no time reserva, os caras todos riram. Ele pediu que cruzassem a bola na marca do pênalti pra mim e me lançassem na corrida. No primeiro tempo, fiz dois gols. O Yustrich reuniu o grupo e eu disse que se ele me colocasse no titular eu virava o treino. E virei mesmo. Mudei de camisa com o Vaguinho. Terminou 3 a 2. Fiz cinco gols no treino”, recorda o autor do gol do título brasileiro de 1971.

‘Assim surgiu um dos maiores ídolos da história atleticana. Um centroavante folclórico, que dava nome aos seus gols e cumpria a promessa. Foram 210 pelo Atlético em três passagens pelo clube. Isso em 290 partidas, média de 0,72, marca superior, por exemplo, á do maior goleador alvinegro, Reinaldo, que balançou a rede 255 vezes em 475 jogos, média de 0,53.

“Minha defesa era prometer gols. Fui muito humilhado”, revela Dario, que em uma das suas várias frases eternizadas no mundo do futebol realmente se definiu: “O Dadá é incansável, é perpétuo, é eterno”.

A FICHA DO JOGO

FLAMENGO 5
Cantarelli; Toninho, Rondinelli (Nélson), Manguito e Júnior; Andrade, Carpegiani (Ramírez) e Pelé (Luisinho); Tita, Zico (Cláudio Adão) e Júlio César (Reinaldo). Técnico: Cláudio Coutinho. 
ATLÉTICO 1
João Leite; Alves, Osmar Barão, Luizinho e Hilton Brunis; Cerezo, Paulo Isidoro e Marcelo (Carlinhos); Serginho (Pedrinho), Dario e Ziza (Vilmar). Técnico: Procópio Cardoso.
DATA: 6 de abril d 1979
LOCAL: Maracanã
CIDADE: Rio de Janeiro
MOTIVO: Amistoso
GOLS: Marcelo, aos 21, e Zico, aos 35 do 1º tempo; Zico, aos 10 e 14, Luisinho, aos 28, e Cláudio Adão, aos 39 do 2º tempo
PÚBLICO: 139.935 pagantes
RENDA: Cr$ 8.781.290,00
ÁRBITRO: Valquir Pimentel (RJ)