Brasil é o país do futebol, os Estados Unidos são os reis do basquete. Esses conceitos fazem parte da história do esporte. Mas os Mundiais das respectivas modalidades em 2014 mostraram que apenas a segunda parte da frase tem valor na atualidade.

A seleção dos Estados Unidos conquistou a Copa do Mundo de basquete no último domingo, na Espanha, depois de uma vitória arrasadora sobre a Sérvia por 129 a 92 - os placares elásticos foram rotina durante todo o torneio. Já o Brasil amargou um vexame nunca antes visto ao sofrer  em casa a goleada de 7 a 1 para a Alemanha.

Uma das explicações para desempenho tão diferente está no processo de renovação das equipes. Dos 12 convocados dos Estados Unidos para a competição disputada na Espanha, dez estrearam no profissional junto ou depois de Neymar, considerado estrela única do país verde-amarelo nos últimos anos.

No futebol brasileiro, o grande questionamento é que diversos jogadores da Seleção passaram a ser criados no exterior, sem contato e afeto com a torcida brasileira. Enquanto isso, o campeonato nacional sofre com o baixo nível técnico, sem a revelação de talentos em quantidade aceitável, em função principalmente da falta de estrutura. Realidade totalmente diferente vivem os jogadores norte-americanos, que têm a seu dispor a melhor liga de basquete do mundo e não precisam “sair de casa” para atingirem o ápice de suas carreiras. O ‘Dream Team’ é tão forte que a Copa do Mundo foi vencida com 100% de aproveitamento com o considerado time B.

“Só porque LeBron James não está, Kobe Bryant não está, Kevin Durant não está, não quer dizer nada. Podemos acelerar e ganhar o ouro também. E foi isso que fizemos”, disse Kenneth Faried, revelado em 2011 e jogador do Denver Nuggets – são quase 2.500 pontos com a camisa de sua equipe na NBA. James Harden, outro pilar da seleção campeã do mundo na Espanha, estreou no profissional com a camisa do Oklahoma City Thunder em 2009 e hoje atua pelo Houston Rockets, foi um dos cestinhas da grande final contra a Sérvia, marcando 23 pontos.

Os Estados Unidos não precisam se preocupar com o futuro. A média de idade dos convocados é de 24 anos. Em contrapartida, dos escolhidos por Luiz Felipe Scolari para a disputa da Copa do Mundo, a média foi de 28 anos, com diversas peças acima de 30 anos e longe do auge técnico. Futuro incerto. Do lado oposto, dos cinco titulares da equipe norte-americana, Kyrie Irving, Anthony Davis, Stephen Curry, James Harden e Kenneth Faried, apenas um tem mais do que 25 anos.

Mais do que a idade, outro fator questionável é que apenas quatro dos que foram à Copa do Mundo no Brasil atuavam no país. Todos os outros 19 jogam em times da Europa. Nem Neymar, revelado pelo Santos em março de 2009, quando fez sua estreia no Pacaembu, em São Paulo, diante do Oeste, ficou. Depois de muitos títulos, saiu do Alvinegro rumo ao Barcelona. Ele, no entanto, foi a grande exceção.

Nomes como Oscar, David Luiz, Luiz Gustavo, Daniel Alves, Dante, entre outros, foram revelados em clubes brasileiros, mas atingiram o auge de fama, dinheiro e reconhecimento em outro continente. Há um buraco entre o futebol de base e o futebol profissional no Brasil. Muito diferente das ligas universitárias norte-americanas, que continuam criando ídolos. Exemplo a seguir dos campeões do mundo no basquete, a fim de igualar essa proporção tão desigual.

Veja a lista de nomes, ano de estreia na NBA e a franquia de cada campeão dos EUA:

Stephen Curry – 2009 (Golden State Warriors)

Kenneth Faried – 2011 (Denver Nuggets)

Anthony Davis – 2012 (New Orleans Hornets)

Andre Drumond – 2012 (Detroit Pistons)

James Harden – 2009 (Houston Rockets)

Klay Thompson – 2011 (Golden State Warriors)

Derrick Rose – 2008 (Chicago Bulls)

DeMarcus Cousins – 2010 (Sacramento Kings)

Kyrie Irving – 2011 (Cleveland Cavaliers)

DeMar DeRozan – 2009 (Toronto Raptors)

Masom Plumlee – 2013 (Brooklyn Nets)

Rudy Gay – 2006 (Sacramento Kings)