Atlético

No dia 30 de maio de 2013, Victor deu um motivo a mais para a Massa sonhar. E de não esquecer da esperança que nasce dentro de cada atleticano. O som do pé esquerdo, chutando para longe uma maldição que perdurava quase 42 anos, parece ecoar ainda hoje. O primeiro compasso de uma sinfonia ditada por um santo que fez da torcida alvinegra uma orquestra afinada, na qual era só olhar as lágrimas de uns aos outros e ouvir o grito de alma lavada para toda uma química acontecer.
 
Passados 3.108 dias (completados nessa quinta-feira de festa) daquele jogo contra o Tijuana, num dos concertos mais dramáticos de toda a temporada alvinegra em 2013, são Victor não está mais no gramado para ajudar o time a vencer, como outrora, o Newell’s Old Boys, o Olimpia, o Corinthians, o Flamengo, o Cruzeiro, o imponderável, o azar e as injustiças e a cicatrizar feridas de outrora, que vez ou outra teimaram em abrir e provocar dores oriundas dos anos 70, 80 e 90 (e de 2005). Mas esteve ali, quase que onipresente na função de dirigente, tendo um papel fundamental na montagem e na gerência de um elenco que, nesta imortal (como o time) campanha do bicampeonato brasileiro, transforma em realidade o sonho de um camisa 1 que um dia fez tantos atleticanos voltarem a sonhar.
 
Campeão mineiro (2013, 2015, 2017, 2020 e 2021), da Libertadores (2013), da Copa do Brasil (2014) e da Recopa Sul-Americana (2014) debaixo das traves alvinegras, Victor nunca escondeu a ambição de buscar o Brasileirão. E não foi o ato de pendurar as luvas em 28 de fevereiro deste ano que sepultou o anseio dele de conquistar a Série A.
 
Gerente de futebol do Galo desde março, Victor seguiu trabalhando em prol da história de um clube que ele ajudou a mudar. A santidade adquirida por meio da canonização do Horto naquele 30 de maio de 2013, se faz presente de uma forma mais humana, em ajudar os vingadores de Cuca com conversas e conselhos. Conselhos que tão bem fizeram a Everson, discípulo do santo e que tantas vezes salvou o time em 2021.
 
De professor para aluno, Victor foi crucial para o ciclo vitorioso que Everson hoje faz parte e que presenteia o imortal goleiro da trajetória do Galo com um título brasileiro que tanto ansiava. Esse título tem a cara de todo atleticano. E também, a cara de um santo, cujo som do pé esquerdo, chutando para longe uma maldição, ainda ecoa em meio à festa da Massa.