Nos bastidores, a Confederação Brasileira de Futebol (CBF) já trata da temporada 2020 invadir janeiro de 2021, sendo isso fruto da pandemia pelo novo coronavírus, que já decreta uma paralisação de 45 dias nas atividades do esporte em praticamente todo o Brasil. Se forem consideradas as datas disponíveis e o que ainda falta para ser jogado, isso já é uma realidade.

O melhor cenário seria o futebol brasileiro retornar em 17 de maio, algo muito improvável, pois os atletas teriam de voltar à atividade neste final de semana, quando terminam as férias coletivas de 30 dias, para terem pelo menos duas semanas de preparação. O retorno está em discussão e o discurso desencontrado e as posições antagônicas de clubes mostram que não será um processo fácil.

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Mesmo assim, de 17 de maio a 23 de dezembro, data limite para as partidas em 2020, por causa das festas de final de ano, seriam 64 as datas disponíveis. Isso para se concluir os estaduais e as Copas do Brasil, Libertadores e Sul-Americana. Além disso, ainda há a disputa das quatro séries do Campeonato Brasileiro, sendo que as duas principais (A e B), têm 38 rodadas, cada.

E hoje, faltam 66 datas para se encerrar as competições já iniciadas e se disputar as Séries A e B do Brasileirão com seus formatos originais, de 38 rodadas.
Terminar o que foi paralisado e ter as duas principais divisões do Campeonato Brasileiro disputadas com as fórmulas previstas é fundamental para as finanças do clube, pois qualquer alteração irá interferir nos contratos de transmissão dos jogos. E o dinheiro da TV ganha ainda mais importância, pois é certo que o retorno do futebol será com portões fechados, o que impede uma receita, a renda das partidas, e impacta em outra, a dos programas de sócios.

CBF

A pressão maior pela volta do futebol parte do presidente Jair Bolsonaro. Ele revelou conversar com autoridades sobre o assunto nesta semana. Mas a questão provoca divisão entre os clubes, que não têm uma posição única.

A coluna De Primeira, do Portal UOL, revelou que a CBF entende como limite de invasão da temporada 2021 o mês de janeiro. Isso para que o calendário do próximo ano não seja muito afetado.

Se os atletas voltarem da parada para as festas de final de ano em 2 de janeiro, um sábado, e já entrarem em campo no dia 6, uma quarta-feira, o primeiro mês de 2021 terá oito datas disponíveis com dois jogos por semana.

Mas se o futebol brasileiro não retornar até 7 de junho, um domingo, será impossível terminar a temporada 2020 em janeiro do ano que vem, considerando-se sempre dois jogos por semana.

Intervalo

A Federação Nacional dos Atletas Profissionais de Futebol (Fenapaf), chegou a acenar com a possibilidade de diminuição do intervalo mínimo entre os jogos, que é de 66 horas atualmente, para 48 horas. Mas a medida, que ajudaria demais a CBF a reorganizar o calendário, pois permitiria três jogos por semana, dificilmente será possível.

Há uma briga entre sindicatos estaduais e a Fenapaf. Assim, Minas Gerais, São Paulo, Santa Catarina, Bahia e Goiás estão fora da federação.
Em áudio encaminhado aos jogadores de São Paulo, o presidente do sindicato do estado, o ex-goleiro Rinaldo Martorelli, foi claro, dizendo que não serão aceitos jogos com menos de 66 horas de intervalo.

Assim, a regra será mesmo de duas partidas por semana, o que já faz o calendário do futebol brasileiro de 2020 ter de invadir 2021, se todas as competições em disputa e que ainda serão jogadas tiverem suas fórmulas mantidas.