Maior jogador da história da Seleção Brasileira, Pelé se recusou a enfrentá-la há exatos 40 anos. Em 28 de maio de 1976, pela segunda rodada do Torneio do Bicentenário de Independência dos Estados Unidos, o Brasil teria pela frente, no Estádio Kingdome, em Seattle, o Team America, um combinado formado por jogadores que foram tentar incrementar o soccer na terra do Tio Sam.

E Pelé era a maior estrela do time, que contava com jogadores como o inglês Bobby Moore e o italiano Giorgio Chinaglia.

O Torneio do Bicentenário foi disputado no formato de um quadrangular em turno único e contava ainda com Itália e Inglaterra. O curioso é que na primeira rodada, Chinaglia encarou a Azzurra, o mesmo acontecendo com Moore na última, diante do English Team.

Um personagem dessa história é Givanildo Oliveira, que há 40 anos era um volante eficiente do Santa Cruz e que vivia naquele ano de 1976 a experiência de passar a fazer parte das convocações da Seleção Brasileira.

E no 28 de maio, dia em que Pelé se recusou a enfrentar a Seleção Brasileira, Givanildo viveu uma das maiores emoções da sua carreira, pois ele estreou com a camisa amarela.

“Na estreia, contra a Inglaterra, não joguei. Contra os Estados Unidos entrei faltavam uns 20 minutos. Fui bem, mas para o próximo jogo, contra a Itália, o Falcão se recuperou de uma lesão no tornozelo. No intervalo, estava batendo bola com os outros reservas, quando foram me chamar, pois o Brandão (Osvaldo, técnico da Seleção) queria falar comigo. O Falcão já tinha trocado de roupa e entrei. Estava 1 a 1. No final, ganhamos de 4 a 1 e fomos campeões. Fui muito bem e virei titular nos jogos seguintes”, recorda o hoje treinador americano.

A emoção pela estreia na Seleção Brasileira, pois ele já vinha sendo convocado por Osvaldo Brandão, mas não entrava em campo, acabou apagando da memória de Givanildo o episódio da recusa de Pelé.

“Não tenho a lembrança de que o Pelé se recusou a jogar contra a Seleção. Me liguei mais no jogo, pois vinha sendo convocado, mas não tinha chance de jogar. E consegui entrar uns 20 minutos (no lugar de Falcão)”, revela Givanildo, que tinha a preocupação de perder a vaga na equipe sem sequer ser testado.

O sentimento de Givanildo é justificável, pois sempre foi muito difícil para os jogadores de clubes nordestinos conquistarem uma vaga na Seleção Brasileira.

Após a conquista do título do Torneio do Bicentenário dos Estados Unidos, Givanildo virou titular da Seleção Brasileira, numa posição que na época contava com jogadores como Falcão, Toninho Cerezo, Carpegiani, Batista, Chicão, Zé Carlos.

Com a queda de Osvaldo Brandão, em 1977, Givanildo, que nesta época já era jogador do Corinthians, deixou de ser convocado pelo seu substituto, Cláudio Coutinho.

Mas a sua história na Seleção já estava construída, mesmo que não tivesse enfrentado Pelé naquele jogo.

“Joguei muito contra ele. Meu primeiro ano de profissional foi em 1969. A partir de 1970, passei a fazer bons Brasileiros. Só em 1971, joguei contra ele três vezes”, revela Givanildo, que perdeu a chance de ter marcado Pelé no único jogo do Atleta do Século contra a Seleção Brasileira, mas que liga mesmo é para a história que ele construiu naquele 28 de maio de 1976.