O dia 2 de dezembro ratificou o desespero de uma nação e reiterou aquilo que foi a tônica do Cruzeiro ao longo da maior parte da temporada: um time sem inspiração, bagunçado taticamente, fraco tecnicamente (sobram nomes, falta futebol), dono de um ataque ‘descalibrado’ e emocionalmente desestruturado, reflexo de uma crise sem precedentes fora das quatro linhas e que, a cada dia, ganha mais e mais capítulos vexatórios. A derrota por 1 a 0 para o Vasco, com gol de Guarín, em São Januário, colocou à beira do precipício uma história de quase 99 anos. Em outras palavras, o futebol apresentado é de 'segunda categoria'.

A verdade é nua, crua e matemática: a Raposa pode ser rebaixada na próxima quinta-feira (5). Se o Ceará ganhar do Corinthians, na quarta, no Castelão, a equipe estrelada precisará vencer o Grêmio, na Arena do Grêmio, um dia depois, para alimentar chances remotas de permanecer na Série A do torneio.

O filme se repete. Quando Mano Menezes foi demitido, Rogério Ceni chegou como a “última esperança”. Problemas internos e brigas envolvendo o treinador e parte do elenco culminaram na demissão de Ceni, dando lugar a Abel Braga, tido como a “última cartada”. Só que o risco do descenso se manteve, a dança das cadeiras fez uma nova vítima, e Adilson Batista desembarcou com status de “salvador da pátria”. 

O primeiro embate do comandante, em sua segunda passagem pela Toca, não surtiu efeito. Embora tenha tentado, Adilson se depara com um quadro aparentemente irreversível no time.

Cruzeiro

Cenário este que começou a ficar nebuloso com os escândalos nos bastidores do clube, com direito a aumento da dívida (algo em torno de R$ 450 milhões), denúncias de lavagem de dinheiro, falsidade ideológica, entre outras. A tempestade alcançou o gramado, com salários atrasados, plantel rachado, troca frenética de treinadores e uma escassez de triunfos – somente sete neste Campeonato Brasileiro – que está sendo crucial para o Cruzeiro continuar na 17ª posição, com 36 pontos, dois a menos que o Ceará, 16º colocado.

Antes do jogo contra o Vasco, veio o afastamento de Thiago Neves e o polêmico discurso de Zezé Perrella: “jogador de futebol está ganhando tanto dinheiro que se ficar dois meses sem receber, não é possível que vai fazer falta”. Diante do Grêmio, é “tudo ou nada”, como tantas vezes disse Abel Braga, mas que acabaram resultando em “nada”. A esperança é a última que morre, mas desse jeito o rebaixamento é quase iminente. E agora, Zezé?