Quatro meses após ter sido dispensado pelo Atlético, o atacante Maicon Bolt conseguiu oficializar a rescisão de contrato com o clube. Isso aconteceu há mais ou menos 15 dias. Contudo, a história não termina por aí. 

Logo após ser comunicado que o clube não mais contaria com seus os serviços, o jogador de 29 anos acionou o alvinegro na Justiça do Trabalho. A ação, que está em segredo de justiça, gira na cada dos  R$ 20 milhões, de acordo com informação publicada pelo Globoesportecom. Uma das principais discussões é sobre o prazo do contrato de trabalho: dezembro de 2020 ou 2021.

Em entrevista ao Papo de Setoristas, nesta segunda-feira (29), Lásaro Cândido, vice-presidente do Atlético e diretor do Departamento Jurídico do clube, comentou a situação e acredita que o atleta e seu staff se precipitaram.

"Ele sustentava que tinha um contrato que lhe garantia salário, integralmente, até dezembro do ano que vem. Mas o contrato diz que, se ele realizasse X% das partidas, no período que antecedesse dois anos desta última temporada do fim do vínculo, ele teria direito a renovação (até 2021). Só que se você somar todas as partidas restantes, desde o dia que ele foi desligado, ele não atingiria este percentual", afirmou Lásaro.

"Na nossa interpretação, ele não tem direito a estes salários. Simples. Mas ele acha que deveríamos esperar até dezembro de 2020. Mas se ele jogasse todos os jogos e prorrogações, não atingira os 60%, em função dos anos passados que ele não atuou. Pegamos todas as súmulas", acrescentou.

Outro ponto observado pelo dirigente atleticano é o fato de Bolt ter procurado primeiro a Justiça do Trabalho e não a Câmara Arbitral.

"Temos outra discução que está nas mãos do juiz de primeiro grau. Há uma cláusula de eleição à Câmara Arbitral e ele não respeitou isso. Para ser sincero, ele nem leu. O advogado que promoveu a ação não deve ter lido. Agora, se chegar lá e o juiz não enxergar assim, nós vamos aceitar e recorrer. Já temos precedentes em relação à esta matéria. Quem ganha acima de dois tetos (mais de R$ 11 mil), a reforma trabalhista de 2017 permite que você resolva na arbitragem e não necessariamente na Justiça do Trabalho. Ele tomou o caminho inverso", explicou Cândido.

"Temos toda uma situação, que dá para ponderar riscos para o clube. Se a gente virar no tribunal, anula tudo e ele terá que pagar honorários em cima do valor total da causa", finalizou.

Contratado pelo Atlético em 2019, Bolt fez apenas 28 jogos pelo clube e anotou dois gols.

Assista a entrevista na íntegra: