Por conta da pandemia do novo coronavírus, que assusta os quatro quantos do planeta, a Olimpíada de Tóquio, marcada inicialmente para o meio do ano, foi adiada oficialmente nesta terça-feira (24) para o ano que vem. O pedido formal foi feito pelo primeiro-ministro do Japão, Shinzo Abe, e aceitou pelo Comitê Olímpico Internacional.

No Brasil, a decisão repercutiu de forma positiva entre atletas, dirigentes e outras pessoas ligadas ao mundo dos esportes.

"Foi a decisão correta para os atletas e para o público. Ninguém sabe ao certo o que vai acontecer. A prioridade é a saúde das pessoas e o bem-estar. Todo mundo tem que procurar ficar em casa, dar uma baixada neste nível de contaminação. Vai dar tempo para se reavalizar tudo e ver qual será o melhor momento para que haja a Olimpíada", comenta o tenista mineiro André Sá ao Hoje em Dia.

Para o ex-maratonista Vanderlei Cordeiro de Lima, medalhista olímpico que recebeu a medalha Pierre de Coubertin após ter sido atrapalhado por um irlandês, durante uma prova em Atenas-2004, o adiamento já era esperado e foi feito de forma correta.

"Quando ao adiamento dos Jogos Olímpicos, vejo que já era esperado. Vemos no mundo inteiro que o coronavírus tem impactado na vida de todo mundo, inclusive dos atletas, que estão buscando sua preparação. Claro que sabemos do impacto desta decisão, mas, pensando bem, pelo lado dos atletas e do desempenho de cada país por número de medalha, vejo que foi o certo. Que numa dada próspera, passando por este grande problema, que possamos voltar numa normalidade e viver toda alegria da Olimpíada. Esta decisão zela pelo bem-estar de todos que estariam em Tóquio", diz o ex-atleta ao HD. Vanderlei, inclusive, foi o responsável por acender a pira olímpica nos Jogos Rio-2016.

vanderlei cordeiro de lima

Outro que corrobora com as opinões de Sá e Cordeiro é o técnico Vadão, Comandante do time feminino do Brasil no torneio de futebol da edição passada, disputada no Rio de Janeiro, ele vê como justa a decisão do COI e do país sede, Japão.

"Já era previsto. Acho até que demorou um pouco, porque a Olimpíada seria em julho. Os organizadores tinham um tempo para ver as previsões e talvez este tenha sido o pensamento. Foi sensato e natural. Se espera isso mesmo por tudo que está ocorrendo. Agora os especialistas, os médicos, os cientistas e todas aquelas pessoas que estão responsáveis por descobrir medicamentos ou vacinas, vão ter uma previsão mais longa sobre tudo. Tem lugares no Brasil em que é pequeno o número de infectados, mas em outros, como na região Sudeste, o número de voos era muito grande e muita gente não sabia bem sobre o coronavírus; o número de pessoas circulando também é maior, então não dá para se saber em que momento isso vai acabar e normalizar", comenta o treinador.

Prata em Atlanta-96 e bronze em Sydney-2000, a ex-jogadora de vôlei (quadra e areia) Adriana Samuel vem acompanhando nas últimas semanas a tomada de decisão para a mudança de datas dos Jogos.

"É muito complexo. Não é simples tudo que envolve esta mudança nos Jogos Olímpicos. Não queria estar na pele de todos estes órgãos e instituições, mas a decisão foi acerta. Talvez fosse possível realizar no fim do ano, mas a gente, na verdade, não pode afirmar nada. Lá no Japão o inverno é muito rigoroso nesta época. É difícil trabalhar em cima daquilo que você nunca viveu, de um ser invisível. Fica tudo no campo do "se", então foi a decisão mais acertada. Isso já estava sendo sinalizado", opina Adriana.

Palavra do campeão 

Medalha de ouro nos Jogos do Rio 2016, o pugilista Robson Conceição é outro que considerou sensata a decisão do COI, citando, inclusive, a questão técnica. 

"Sobre ter cancelado os Jogos Olímpicos esse ano, eu achei muito justo, porque estamos passando por um momento muito difícil. Os atletas precisam treinar, precisam estar na rua pra treinar, se deslocando para treinamento, fisioterapia. Então, se os Jogos Olímpicos acontecessem esse ano eu creio que não teríamos uma boa apresentação. No caso do boxe, não teríamos boas lutas, não teríamos um show completo para o público, para todas as nações que estarão presentes, esperando um espetáculo de todos os esportes em alto nível, com todos bem preparados, com um preparo físico e técnico bom". 

Por fim, a reportagem ouviu também a medalhista olímpica Lucimar de Moura. Especialista em provas de velocidade, a atleta mineira, nascida em Timóteo (Vale do Aço), está reclusa num sítio em Santana do Paraíso, perto de Ipatinga, com o marido; ele tem câncer e, por orientação médica, está quieto em casa por causa da imunidade baixa.

"Em relação ao adiamento dos Jogos, achei sensato e até demorou demais. É por uma causa nobre. O mundo inteiro está enfrentando o coronavírus. Os atletas estavam se preparado, alguns tentando o índice, mas precisaram parar. Graças a Deus eles (COI) ouviram as opiniões de países que iam 'boicotar' os Jogos. Que em 2021 seja um evento bonito, com todo mundo brigando de igual para igual. A união prevaleceu, como manda a Olimpíada", relata Lucimar.

Por meio de nota oficial, o Comitê Olímpico Brasileiro (COB) também se manifestou sobre a confirmação do adiamento:

"O Comitê Olímpico do Brasil (COB), que havia se manifestado a favor de uma possível alteração de data no último sábado, 21, vê com alívio a medida. Com mais de 375 mil pessoas infectadas pelo coronavírus em quase todos os países do mundo, a decisão foi tomada visando à proteção da saúde dos atletas e de todos os envolvidos no maior evento esportivo do mundo".