A tristeza por ter sido trocado pelo Cleveland Cavaliers, franquia onde atuou por 12 anos, e dispensado na sequência pelo Portland Trail Blazers, logo foi substituída pela alegria de ter uma chance única de conquistar o título da NBA. Cortejado por diversas equipes, o pivô Anderson Varejão optou por acertar com o Golden State Warriors, atual campeão e melhor time da temporada, com 53 vitórias e apenas cinco derrotas.

O brasileiro, que foi consultado por San Antonio Spurs e Oklahoma City Thunder, outros fortes concorrentes ao título, escolheu o time de Oakland também pelas amizades. Além de Leandrinho, companheiro de longa data na seleção, ele se reencontrou em quadra com Shaun Livingston e Marreese Speights e, fora dela, com o auxiliar técnico Luke Walton. O quarteto atuou em Cleveland.

"É bom para o atleta receber esse reconhecimento e para mim, naquele momento, foi muito importante. Fiz a escolha que achei ser a melhor, vim para uma equipe que é a atual campeã e tem condições de disputar o título, onde tenho muitas amizades e isso pesou bastante", afirmou o pivô, em entrevista ao jornal O Estado de S. Paulo.

Varejão admitiu que ficou triste ao ser informado da negociação. "Não esperava. Mas quero virar essa página", comentou o atleta, que ficou sensibilizado pelo carinho que recebeu dos fãs dos Cavaliers. "Vi o vídeo de um menininho chorando ao saber da minha saída. Foi de cortar o coração. Tenho um respeito enorme por todos eles, sempre fui tratado com muito carinho e isso é algo que não tem preço. Nunca vou esquecer."

Na nova casa, ele espera ter uma rápida adaptação para ter condições de ajudar o time nos playoffs. Ele quer aproveitar os 24 jogos até lá para fazer uma leitura completa dos esquemas do técnico Steve Kerr. "Todos aqui me receberam bem, o ambiente é muito legal e espero me entrosar, me encaixar no sistema o mais rápido possível. Aos poucos, vou saber de que jeito serei mais útil", assegura Varejão, elogiando bastante os novos companheiros.

"O Golden State tem uma equipe forte e bem equilibrada, com dois jogadores fora de série, como (Stephen) Curry e (Klay) Thompson, que carregam muito a pontuação, o (Draymond) Green, que é um jogador completo, (Andre) Iguodala, um dos líderes, (Andrew) Bogut, (Harrison) Barnes... Não à toa é o time de melhor campanha até agora."

A ida para os Warriors pode levar Varejão para mais uma final da NBA e, obviamente, colocá-lo contra o antigo time. O Cleveland é o principal favorito da Conferência Leste. Desta maneira, se o Golden State repetir o feito da temporada passada, teremos uma repetição da final. Por enquanto, o pivô prefere esquecer tal hipótese.

"Temos um objetivo que é disputar o título e o caminho é longo. Hoje o foco está nos playoffs, depois passa a ser série a série, em seguir no campeonato, buscando a final. É claro que existe uma possibilidade, pela qualidade dos times, mas não quero pensar nisso agora", afirmou Varejão.

OLIMPÍADA - A mudança de equipe foi comemorada pelo técnico da seleção, Rubén Magnano. Agora o pivô terá certamente mais minutos em quadra. A situação dos jogadores que atuam na NBA tem tirado o sono do treinador. Para Varejão, todos estão se preparando para se apresentar em boas condições para os Jogos Olímpicos, minimizando o pouco tempo de quadra que estão tendo os brasileiros da NBA.

"Espero que isso não atrapalhe. Espero que todos possam ter mais minutos de quadra nessa reta final de temporada regular. Vamos ter um bom tempo de preparação, um bom planejamento, vamos chegar bem à Olimpíada, tenho certeza", disse Varejão, que também vinha jogando pouco no Cavaliers. "Todo jogador quer jogar. Eu estava tendo poucas oportunidades em Cleveland, mas nunca deixei de treinar forte, de estar preparado para quando a chance aparecesse", completou.

Ele reiterou que o Brasil tem boas chances de ir ao pódio na Olimpíada. "Temos condições de lutar por uma medalha. O Brasil hoje joga de igual para igual com qualquer seleção e vamos jogar em casa, com torcida, familiares, amigos, numa atmosfera favorável", comentou.