Ricardo Teixeira colocou um homem de sua confiança no comitê para auditar as contas da Fifa. No auge do que pode ser o período de maior corrupção na entidade, um dos cinco membros do organismo que controlava a entidade era o brasileiro José Carlos Salim, que também acumulava a função de diretor financeiro da CBF.

Salim entrou para a cúpula da entidade brasileira desde os primeiros dias de Teixeira na CBF. Nos documentos oficiais da Fifa, ele já aparece no cargo de auditor desde 2004.

O dirigente também sobrevive à queda de Teixeira e, durante o mandato de José Maria Marin, ele continuaria na CBF. Salim foi substituído apenas em 2014 do cargo de diretor de marketing.

Neste período, a Fifa viveu o escândalo dos pagamentos de propinas da ISL e uma série de atividades que, segundo a investigação do FBI, apontam para compra de votos e transações suspeitas.

Neste período, porém, o Comitê de Auditoria da Fifa jamais questionou um pagamento. Mas Salim não é o único que não viu nada.

Quem liderava a auditoria da entidade era o italiano Franco Carraro, ex-presidente do Milan e figura chave no futebol italiano. Sua posição era tão fundamental que, em grampos realizados pela polícia da Itália, foi descoberto em 2006 que ele havia sugerido a compra de resultados para garantir a Lazio na primeira divisão.

Ele foi banido do futebol italiano e pegou uma pena de prisão de quatro anos, o que seria depois revertido em multa. Mas, na Fifa, ele manteve seu emprego.

Como seu vice-presidente estava Jeff Webb, presidente da Federação de Futebol das Ilhas Cayman. Na semana passada, porém, Webb foi um dos presos na operação em Zurique. O FBI havia registrado conversas e coletado material suficiente para o indiciar por corrupção.

Outro membro do Comitê de Auditoria da Fifa era Justino Fernandez, de Angola. Aliado e ministro na época do presidente José Eduardo dos Santos, foi ele quem iniciou um caso na Justiça para prender um jornalista que denunciou a corrupção em Luanda.

Do outro lado do corredor, no Comitê de Finanças, tudo passava por Julio Grondona, morto no ano passado e que por 20 anos manteve as chaves dos cofres da Fifa.

Ao seu lado trabalhavam Jack Warner, acusado pelo FBI de corrupção, Mohamed Bin Hammam, expulso da Fifa por comprar votos para as eleições, além de Issa Hayatou, Reynald Temarii e Marios Lefkaritis, todos sob suspeita da Justiça suíça.