Abandonado pelos pais com menos de um mês de vida, Bruno foi acolhido e criado pela avó paterna num bairro pobre de Ribeirão das Neves, na Região Metropolitana de Belo Horizonte. Hoje, o neto de dona Estela coleciona histórias de rejeição e encara aquela que, talvez, seja a pior já vivida em 32 anos.

Contratado pelo Boa Esporte após quase sete anos de prisão por sequestro, cárcere privado, homicídio e ocultação do cadáver de Eliza Samudio, com quem teve um filho em 2010, Bruno vê o retorno ao futebol ser marcado pela rejeição.

De personalidade forte e temperamento explosivo, o início de Bruno no futebol foi repleto de brigas, discussões, ciúmes e medo de não ser reconhecido.

Dispensado do Infantil do Cruzeiro por problemas de comportamento quando tinha 15 anos, o goleiro seguiu para o Tombense, equipe da cidade de Tombos, na Zona da Mata.

Numa entrevista que deu à Rede Record logo após ser solto, Bruno disse que devia desculpas a Lane Gaviolle, presidente do Tombense. O motivo não foi revelado pelo jogador nem pelo dirigente.

A passagem pelo Tombense não foi longa, e logo Bruno retornou à capital, para defender as categorias de base do Atlético.

No alvinegro, clube que o revelou de fato ao mundo do futebol, o camisa 1 ficou conhecido não só pelas boas defesas, mas também pelas polêmicas.

Segundo relato de um profissional que trabalhou no clube com ele, certo dia o goleiro já chegou “cantando pneus” na Cidade do Galo para tirar satisfação com um dirigente que fizera um comentário que não o deixou satisfeito.

“Bruno tinha um ciúme doentio do Diego, pois era superado na parte técnica e o via ser convocado para a Seleção. Um dia ele era seu amigo, e por qualquer coisa que o desagradasse, tomava raiva de você"

A relação com Diego Alves, hoje no Valência, também rendeu várias histórias no Atlético. Contratado junto ao Botafogo-SP, Diego logo que chegou assumiu a titularidade do time sub-20 do Galo, fato que tirou do sério o novo goleiro do Boa Esporte.

“Bruno tinha um ciúme doentio do Diego, pois era superado na parte técnica e via o concorrente ser convocado constantemente para a Seleção”, conta o profissional que pediu para não ter o nome divulgado.

Ainda de acordo com o ex-funcionário do Atlético, Bruno sempre demonstrou ser inseguro, por medo de não ser o titular da equipe principal, e alternava muito o humor. “Um dia ele era seu amigo, e por qualquer coisa que o desagradasse, tomava raiva de você”, acrescenta.

Do céu ao inferno

Destaque em 2005 no Galo, apesar da queda para a Série B, na temporada seguinte Bruno teve 85% dos direitos econômicos comprados pela Media Sports Investment (MSI), empresa parceira do Corinthians.

No Parque São Jorge, o goleiro viveu mais um episódio de rejeição. Preterido pelo então técnico Emerson Leão, ele era a quarta opção da posição. Insatisfeito com a condição, se reuniu com a MSI e acabou emprestado ao Flamengo.

Aproveitando a lesão do titular Diego, o mineiro logo ganhou espaço no rubro-negro e, nos anos seguintes, teve vida de rei no Rio de Janeiro, pois teve os direitos econômicos comprados pelo clube da Gávea.

Campeão brasileiro em 2009, Bruno vivia a expectativa de ser negociado com o futebol europeu e esperava também ser convocado por Dunga para disputar a Copa de 2010 pela Seleção.

Apesar da boa fase, o goleiro levou mais um baque. Fora da lista do Mundial, viu a bela campanha na Série A não ser reconhecida pelo então técnico do Brasil.

Como plano B, Bruno e seu staff foram ousados. Aproveitando que a avó materna tem descendência portuguesa, ele projetou defender Portugal na competição.

Contudo, por meio de nota oficial, a Federação Portuguesa de Futebol rechaçou qualquer possibilidade de contar com o arqueiro e afirmou que ele nunca esteve no radar do técnico Carlos Queiroz