No seu 108º aniversário, nesta quinta-feira, o América comemora também oito anos do fim da mais longa polêmica do futebol mineiro: o decacampeonato do Coelho entre 1916 e 1925.

Conquistado numa época em que se disputava ainda o Campeonato da Cidade (Mineiro, só a partir de 1958) e na Era do Amadorismo, o grande feito americano, que coloca o clube no Guinnes Book, o Livro dos Recordes, teve o capítulo final apenas em 2012, na comemoração do seu centenário.

América campeão mineiro 1916

O time de 1916, que iniciou a impressionante trajetória do deca do América, que venceu o Mineiro até 1925

O eneacampeonato, entre 1916 e 1924, teve abandono de clubes, jogos não disputados, brigas entre as agremiações, mas isso fazia parte do futebol de Belo Horizonte no início do século passado e até a metade dos anos 1930 é rara a competição sem esse tipo de situação.

Mas o torneio de 1925, aquele que garante o deca americano, era cercado de muita polêmica.

Versões

Em sua edição de 16 de janeiro de 1931, o Estado de Minas tem a seguinte nota: “O campeonato de 1925, do qual poucos jogos se realizaram foi considerado inexistente para todos os effeitos em reunião conjuncta da directoria da Liga, com os presidentes dos clubs interessados (Acta de 18 de dezembro de 1925)”.

América campeão mineiro 1924

A equipe de 1924, que foi eneacampeã, tinha a base que formou a Seleção Mineira em 1925 e que conquistou o decacampeonato

Em entrevista ao Hoje em Dia, em 2012, Carlos Paiva, historiador do América, apresenta outros fatos: “A seleção mineira viajou até o Rio de Janeiro para disputar o Campeonato Brasileiro de Seleções, que era paralela ao torneio estadual. Para se ter uma ideia, 10 jogadores do América eram titulares. O único titular que não era do América era Ivo Melo, do Atlético. Tanto foi, que até ganhou da seleção do Rio de Janeiro (formada por clubes do interior, pois a cidade do Rio de Janeiro tinha a seleção do Distrito Federal), por 6 a 0. Voltando do Campeonato Brasileiro de Seleções, o clube tinha que manter a hegemonia do Campeonato Mineiro e o único que poderia acabar com ela era o Atlético. Mas quando foram jogar entre si, ficou 4 a 1 para o América. No dia seguinte, os clubes se reuniram e decidiram dar o título ao América, abandonando a competição e redigiram um documento. Aquilo assustou as equipes, já que o Atlético era o único concorrente direto”.

A versão de Carlos Paiva é a mesma do livro “América – o deca campeão”, uma publicação da Raymar Editores S. A., que foi editado em 1971, logo após a conquista do título estadual daquele ano, de forma invicta, o primeiro do clube na Era Mineirão.

Centenário

Em 2012, a situação foi resolvida oficialmente. Na comemoração do centenário do clube, o então presidente da Federação Mineira de Futebol (FMF), Paulo Schettino, homologou o título de 1925.

Não se pode dizer nem que era uma confirmação, pois a torcida alviverde já cantava o decacampeonato nos estádios há décadas, pois a sequência é mais que um orgulho americano, é o maior feito da história do clube, que chega aos 108 anos nesta quinta-feira.