Depois de Alexandre Mattos e Marcone Barbosa, o Cruzeiro perdeu mais uma peça importante de sua diretoria. Após 17 anos no clube, o ex-gerente de futebol, Valdir Barbosa, se despede da Toca da Raposa para assumir a direção de futebol do Coritiba.O anúncio oficial foi feito neste domingo (16), no Mineirão, antes de o Cruzeiro entrar em campo com o Internacional, pela 18ª rodada do Campeonato Brasileiro.

Segundo Valdir Barbosa, a proposta do clube paranaense o seduziu. No clube coxa branca, o cartola terá um vencimento que gira em torno de R$ 55 mil mensais. “Estou anunciando minha saída do Cruzeiro depois de 17 anos. O coração fica partido. Vou prosseguir para o Coritiba. Tive uma proposta de futebol muito bacana, o presidente me convidou com vantagens absolutas para que eu pudesse transferir. Agradeço o torcedor do Cruzeiro, aos presidentes que passaram, o Zezé, o Alvimar, principalmente o Gilvan. Vida que segue, quem sabe um dia a gente retorna”, disse Valdir.

Segundo o dirigente, sua saída do Cruzeiro não tem nada a ver com a chegada do novo diretor de futebol, Isaías Tinoco. No início da temporada, ao lado do supervisor Benecy Queiroz, Valdir exerceu a função de diretor de futebol, mas foi duramente criticado pela torcida.

“Eu, há muito tempo, tenho pensado em mudar de ares um pouco. Você vira figura marcada, conhecida e isso atrapalha um pouco. A questão da vinda do Isaías não tem nada a ver, tenho com ele ótimo relacionamento, já trabalhei com outros diretores e não foi por isso que pedi minha saída. O presidente Gilvan me deu a chance de trabalhar de ser diretor. Só lamento que a chance que ele nos deu, não tenha surtido o efeito que ele e o torcedor esperavam. Passando o momento de transição, à falta de dinheiro no mercado da bola é grande, falta de jogador também. Os clubes não tem condição de fazerem grandes contratações. Ainda mais pela nova lei sancionada, de responsabilidade fiscal. Não tenho nada a dizer contra o Cruzeiro, só a favor. Tive alegrias inúmeras, participei de três Copas do Brasil, Libertadores, três campeonatos Brasileiros. Tivemos momentos perigosos, quase rebaixamento em 97, 2011. Tenho certeza que esse grupo comandando pelo Vanderlei Luxemburgo e presidido pelo Gilvan sairá dessa situação difícil”, explicou Valdir.

Valdir aproveitou ainda para falar sobre o momento de turbulência vivida pela equipe estrelada, após dois anos de sucesso. “O futebol brasileiro é tratado culturalmente assim, temos que estar preparados para esse tipo de crítica. Isso não me abalou. Vocês que conviviam comigo na Toca da Raposa, sempre me viram com a mesma fisionomia todos os dias. Alguma coisa chateia, mas temos que estar preparados. O torcedor quer ver o seu time vencedor. O torcedor tem que ter gratidão pelo que fez o Gilvan com o Alexandre Mattos, na campanha do bicampeão. Muita gente participou, ninguém ganhou sozinho. O clube ganhou dois campeonatos brasileiros seguidamente. O presidente merece um pouco mais de paciência ,a fase de transição em qualquer empresa é complicada. E no futebol a pressão é descomunal. Hoje assistimos o final das rodadas, manifestações inúmeras nos aeroportos, Cts. Isso é perigoso, acho que as autoridades, polícia, ministério publico, deveriam tomar providências antes que alguma coisa aconteça”, finalizou.