Numa cidade em que a rivalidade entre torcidas é bipolarizada, ao contrário de Rio de Janeiro e São Paulo, por exemplo, a vida de um jogador que resolve 'mudar de lado da Lagoa' pode ficar em risco. No caso do goleiro Rafael, que atuou durante 17 anos no Cruzeiro e que em março acertou sua ida para o Atlético, algo semelhante aconteceu.

“Eu vivi um momento difícil da transição com ameaças. Tive que trocar de carro, tive que mudar de casa. Sofri muito e a minha família também. Ameaças todos os dias e o tempo inteiro. Tivemos que passar muitas coisas para a polícia”, contou o arqueiro em entrevista à Rádio Itatiaia.

“Descobriram os números de celular meu e da minha família, da minha esposa. Mandaram ameaças. E a gente nunca sabe o que é verdade e o que não é, o que pode acontecer. Fiquei um tempo sem poder sair também. Infelizmente, não é um problema que envolve somente o torcedor. São pequenas pessoas que fazem isso em todos os âmbitos, seja na política, no futebol, na sociedade em geral. Existem pessoas intolerantes e acabam, de alguma forma, fazendo o mal”, acrescentou o titular de Jorge Sampaoli.

Campeão mineiro com o Galo no último domingo (30), o goleiro vibra com a primeira oportunidade da carreira em ser titular, já que na Raposa ele ocupava o posto de 'fiel escudeiro' e reserva imediato de Fábio. No alvinenegro, porém, fez com que 'São Victor', ídolo da Massa, fosse para o banco de reservas.

“Estou muito feliz e realizado. Esse título trouxe uma alegria inexplicável para a minha família. Por tudo o que a gente passou”, finalizou Rafel, convidado do programa Bastidores.