Água mole em pedra dura, tanto bate até que... não fura de jeito nenhum. A famosa máxima, que ilustra valores como persistência e constância, foi completamente desvirtuada no Atlético. A temporada do clube alvinegro tem sido marcada por muitas finalizações, que geralmente vão parar nas mãos do goleiro ou fora do gol.

A derrota para o xará paranaense, por 1 a 0, no Mineirão, após dois gols anulados e uma bola na trave, em que o time de Vagner Mancini praticamente dominou o jogo, é simbólica da sina do Galo de 2019: muita luta e intensidade e pouco resultado. É uma questão matemática: no Brasileiro, o Atlético é um dos times que mais finaliza, com cerca de 530 chutes desde a primeira rodada. 

O problema é que cerca de 60% desses chutes são errados. Um pé mais equilibrado certamente teria posto o time numa situação muito melhor na tabela. A busca do chute correto fez do ataque atleticano uma das posições com maior rotatividade, por onde passaram Ricardo Oliveira, Papagaio, Alerrandro e Di Santo.

Se, no ano passado, Ricardo Oliveira se tornou o segundo artilheiro do Brasileiro, com 13 gols, em 2019 nenhum atacante chegou à metade deste número. Os meias Nathan, que vinha atuando como segundo volante, e Cazares fizeram quatro, cada um. O problema parece ser mesmo ser “pé torto” de quem finaliza, pois assistências não faltam, sendo o equatoriano o principal nome nesse quesito.

Também falta sorte. Na partida de ontem, Otero cabeceou uma bola na trave, após bela jogada em que Cazares foi à linha de fundo e tocou de “cobertinha” para o outro lado. O argentino Di Santo conseguiu entrar na área, driblar o goleiro e tocar cruzado para gol. Estava impedido. O lateral Patric, por sua vez, também pôs a bola para dentro, depois de receber um longo lançamento de Maidana, mas foi pego em situação irregular. 

Na partida contra o Atlético, também pesou na balança um grave erro do técnico Vagner Mancini, ao retirar o melhor jogador em campo aos 23 minutos do segundo tempo. Cazares deu lugar a Bruninho, e a arquibancada reagiu imediatamente, xingando o treinador de “burro”. Com o time na 13ª posição, precisando de três pontos em quatro partidas para ficar livre matematicamente do rebaixamento, o torcedor já não vê a hora do adeus à temporada.

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