Há tempos que o Cruzeiro não jogava de forma tão organizada e exercendo tanta pressão sobre um adversário como se deu na noite dessa quarta-feira (9), contra o Fluminense, no Mineirão, pela 24ª rodada do Brasileirão. O sistema defensivo esteve bem postado, as jogadas pelos flancos funcionaram, e a linha de frente incomodou. Quando não era na técnica, era na raça, na luta e no brio de cada atleta que entrou em campo ávido a colaborar com a equipe, estacionada na zona da degola. Mas foi tudo em vão. Faltou algo mais no empate em 0 a 0, é verdade. Porém, poderia ter sido diferente se não fosse também a atuação ruim da arbitragem, crucial para transformar o grito de gol numa frustração sem precedentes no Gigante da Pampulha. 

Aos 6 minutos do segundo tempo, Robinho ganhou uma disputa no meio-campo, Egídio cruzou na área, e Fred estufou as redes. Muita comemoração, brincadeiras entre os jogadores, e uma ponta de alívio. Só que o VAR tratou de dar fim à ilusão cruzeirense. Inicialmente, o árbitro Jean Pierre Gonçalves Lima validou o tento. Mas, após revisão do VAR, mudou de opinião: viu falta de Robinho em cima de Gilberto na origem da jogada e anulou o gol.

Para o juiz, Robinho teria deixado a perna no rosto do lateral do Flu. No entanto, é questionável se houve ou não a intenção do armador celeste. Aliás, é necessário frisar que o meia havia sofrido uma infração antes. Então, na pior das hipóteses, o lance deveria ser favorável ao Cruzeiro, seja com a lei da vantagem, seja com a marcação de uma falta a favor dos azuis.

Porém, não adiantava chorar ou reclamar. Já estava sacramentado. Havia tempo de sobra para mudar o panorama. E os comandados de Abel Braga construíram outras situações de gol. Nenhuma delas, porém, tão perigosas quanto o chutaço de Edilson no travessão, antes do tento anulado, ou algumas oportunidades do primeiro tempo, dos pés de Sassá e Jadson. A falta de pontaria praveleceu.

O empate sem gols ratificou uma triste realidade para os celestes, sem vencer há sete partidas no Brasileirão e que somou apenas três pontos (nenhum triunfo) em cinco embates do returno. O rebaixamento está, a cada rodada, mais próximo. Com a vitória por 1 a 0 em cima do Internacional, o CSA, primeiro clube fora do Z-4, colocou quatro pontos de vantagem sobre o Cruzeiro, 18º, com 21 pontos.

O próximo duelo será com a Chapecoense, no domingo (13), na Arena Condá, sem a participação de Robinho, suspenso por conta do amarelo recebido no lance do gol que não valeu. Mais um capítulo da incessante saga de um time que tenta evitar uma mancha em suas páginas heroicas e imortais.