“Eu não tenho nenhum temor que o Cruzeiro caia”. O otimismo do gestor de futebol, Zezé Perrella, após ver o time reagir no Brasileiro, graças às vitórias sobre São Paulo e Corinthians, não condiz com a realidade dos celestes na tabela de classificação e com o recente futebol insosso.

A morosidade ofensiva vem sendo crucial para a equipe habitar uma região próxima da zona de rebaixamento. O empate sem gols com o lanterna e agora matematicamente rebaixado Avaí, na noite desta segunda-feira (18) é o mais novo fracasso de um elenco que, a cada dia, vem ratificando a falta de técnica e poder de decisão e mostrando o quanto o fator psicológico também tem afetado os comandados de Abel Braga.

O triunfo sobre o Botafogo, por 2 a 0, fora de casa, no dia 31 de outubro, tirou a equipe do Z-4. E a mediocridade de vários concorrentes diretos na luta contra a degola ajudou o Cruzeiro a permanecer em 16º lugar nas quatro rodadas seguintes. Isso porque dos últimos 12 pontos disputados, o time celeste conquistou apenas quatro: foram quatro empates e apenas um gol marcado. Diante de Bahia (1 a 1), Athletico-PR (0 a 0), Atlético (0 a 0) e Avaí (0 a 0), a Raposa reforçou suas limitações.

Perante o Leão de Florianópolis, a China Azul exigiu raça dos atletas. O problema, no entanto, não é a escassez de raça, mas a falta de outras “qualidades”. A pontaria dos jogadores do Cruzeiro beira o péssimo. Nesta segunda-feira, foram 14 finalizações, sendo 11 para fora. Um dos poucos que arrematou em direção ao gol foi o lateral-direito Orejuela, aliás, um dos mais lúcidos em campo. Mas outros, como Thiago Neves, Sassá, Fred e tantos outros têm que se explicar. Mais do que isso, precisam voltar a ser decisivos.

Restam apenas cinco jogos para o fim do campeonato, sendo três longe dos domínios da Raposa. O primeiro desta série será diante do Santos, no próximo sábado, na Vila Belmiro. Depois disso, encara CSA (28/11; Mineirão), Vasco (2/12; São Januário), Grêmio (Arena do Grêmio) e Palmeiras (Mineirão). As datas contra esses dois últimos adversários ainda serão definidas, pois as rodadas ainda não foram desmembradas. Diferentemente do que pensa Perrella, o temor existe sim. E é necessário dar fim a esse martírio, pois o tempo está acabando, e o rebaixamento, se aproximando!

Cruzeiro

CRUZEIRO 0 X 0 AVAÍ
Motivo
: 33ª rodada do Campeonato Brasileiro
Estádio: Mineirão
Arbitragem: Diego Pombo Lopez (BA), auxiliado por Elicarlos Franco de Oliveira (BA) e Eduardo Gonçalves da Cruz (MS) 
VAR: Elmo Alves Resende Cunha (GO)
Cartões amarelos: Thiago Neves e Pedro Rocha (Cruzeiro); Igor Fernandes e Vinicius Araújo (Avaí)

CRUZEIRO
Fábio; Orejuela, Fabrício Bruno, Cacá e Dodô; Henrique e Éderson (Robinho); Thiago Neves, Marquinhos Gabriel (Pedro Rocha) e David (Fred); Sassá
Técnico: Abel Braga

AVAÍ
Vladimir; Lourenço, Kunde, Marquinhos Silva e Igor Fernandes; Luanderson (Wesley), Pedro Castro, Richard Franco e Luan Pereira (Matheus Barbosa); Caio Paulista (Matheus Lucas) e Vinícius Araújo
Técnico: Evando