“Nelson Mandela tinha tudo contra e conseguiu mudar a forma das pessoas de pensar com paciência. Espero que eu possa ter 1% da paciência dele. Eu não penso em mim, penso na Seleção Brasileira”.

Foi com esse discurso que Dunga voltou à Seleção Brasileira, em 22 de julho de 2014, duas semanas após o maior vexame da história da equipe, os 7 a 1 para a Alemanha, no Mineirão, nas semifinais da Copa do Mundo disputada em casa.

Ele pode até ter alcançado a paciência desejada. Mas fez todo mundo perde-la. E sua segunda passagem como treinador da Seleção Brasileira deve ter um ponto final nesta terça-feira (14), quando ele e o coordenador técnico Gilmar Rinaldi terão uma reunião na sede da CBF, no Rio de Janeiro, com o presidente da entidade, Marco Polo del Nero, que deve encerrar o ciclo da dupla.

O cartola não acompanhou a delegação aos Estados Unidos com medo da justiça do país, pois está envolvido no escândalo de corrupção da Fifa. E se for à Terra do Tio Sam, corre o risco de ser preso, assim como seu antecessor, José Maria Marin, que cumpre prisão domiciliar em Nova York.

O que vai derrubar Dunga na Seleção Brasileira é o seu péssimo desempenho nas três competições oficiais em que dirigiu a equipe.

Retrospecto
A derrota de 1 a 0 para o Peru, no último domingo, foi a 26ª partida dele à frente da Seleção Brasileira nessa segunda passagem. Foram 13 jogos oficiais, pela Copa América e Eliminatórias. E ele conquistou pouco mais de 50% dos pontos.

Na Copa América do ano passado, caiu nas quartas de final, eliminado pelo Paraguai, nos pênaltis. Este ano, a eliminação foi na primeira fase, o que não acontecia com a Seleção desde 1987, na Argentina.

E o grupo brasileiro foi comemorado quando aconteceu o sorteio, pois os adversários eram Equador, Peru e Haiti. Nas Eliminatórias para a Copa do Mundo de 2018, a Seleção é sexta colocada, posição que não credenciaria o Brasil nem à disputa da repescagem para o Mundial da Rússia.

Amistosos
Nos 13 amistosos em que comandou a Seleção, Dunga tem 100% de aproveitamento. Um grande desempenho ofensivo e baixa média de gols sofridos. E venceu alguns adversários fortes, como Argentina e França nesses jogos.

O desempenho nestes jogos é a defesa de Gilmar Rinaldi, que falou com a imprensa na segunda-feira (13), ainda nos Estados Unidos.

“Seguimos com a certeza de que ele (Dunga) está fazendo um trabalho bem feito e transparente, que todo mundo pode acompanhar. Contra grandes equipes tivemos grandes resultados. Tivemos dois problemas na Copa América, realmente não foi bem, fomos eliminados agora na primeira fase, mas estamos trabalhado e no caminho certo. Temos que em algumas coisas melhorar, buscar como fazer essas mudanças e melhoras”, analisa

Rinaldi, naquela que deve ter sido sua última entrevista como coordenador técnico da Seleção Brasileira.

Antes tarde do que Dunga; fragilidade em jogos oficiais vai derrubar o treinador