Medalha de ouro nos 800 metros na Olimpíada de Los Angeles, em 1984, Joaquim Cruz, aos 52 anos, voltará a competir. O ex-fundista vai para a pista nesta quinta-feira (13) como guia da atleta norte-americana Ivonne Mosquera-Schmidt nas provas dos 800 e dos 1.500 metros nos Jogos Parapan-Americanos de Toronto, no Canadá.

Último brasileiro a ser medalhista de ouro em provas de pista, Joaquim Cruz é o treinador da equipe norte-americana de atletismo. "Dois guias com quem ela trabalha tiveram problema com passaportes. Não chegaram em tempo de mandar as inscrições para o Canadá. Como não tínhamos outro guia para as provas de meio-fundo, a única pessoa que poderia ajudar era eu", afirmou o ex-atleta.

"Como sou um treinador dinâmico, nunca mando meu atleta para casa se o guia dele falta em uma competição. Eu prefiro eu mesmo guiá-los. Fiz isso com o David Brown e a Ivone faço de vez em quando, apenas quando precisa", afirmou Joaquim Cruz.

Ele disse que a sua idade não vai atrapalhar. O veterano, entretanto, é mais alto (tem 1,93 metros, contra 1,50 metros da velocista norte-americana) e mais rápido que Ivonne. Mesmo assim, ele acredita que não precisará de grande esforço para competir em Toronto. "O fato de eu ter mantido minha forma, de ter mantido minhas corridas diárias, ajuda. E o ritmo da Ivone é um pouquinho mais macio, mais lento do que posso fazer, ou pelo menos assim espero", brincou. "É complicado, porque o objetivo é fazer com que ela fique mais rápida e, ao mesmo lado, como guia, tomara que ela não vá muito mais rápido do que posso guiar", disse o brasileiro.

Joaquim Cruz será o guia mais velho no Parapan de Toronto. Ele e Ivone correrão os 1.500 metros da classe T11 o os 800 metros da classe T12, para deficientes visuais - a norte-americana perdeu a visão aos dois anos de idade devido a um câncer na retina.