Às 20h26 do dia 29 de junho de 2012, para o torcedor do Atlético, pouco importava que a presidente argentina Cristina Kirchner estivesse anunciando a adesão da Venezuela ao Mercosul. O total de usuários brasileiros no Facebook chegando a 50 milhões, bem como o naufrágio de um navio com 40 mil toneladas de mármore no litoral cearense também eram fatos irrelevantes.
 
A única notícia capaz de atrair atenção acabara de ser anunciada via Twitter pelo então presidente Alexandre Kalil: “Torcida mais chata do Brasil, se o problema era goleiro, não é mais. Victor é do #Galo”.
 
O mais idolatrado camisa 1 da história alvinegra completou nesta segunda-feira (29) exatos três anos no clube. A contratação é apontada, junto com a de Ronaldinho Gaúcho, como fundamental na formação da equipe que viveria seu maior ciclo vencedor, com as conquistas da Libertadores, da Recopa e da Copa do Brasil.
 
“O Victor já estava no Grêmio havia quatro anos, tinha consolidado o nome lá. Eu já tinha levado o Réver para o Atlético, sabia do projeto que o presidente Alexandre Kalil tinha por lá. E ele buscava um goleiro”, conta o empresário do goleiro, Fabio Mello.
 
Victor se condicionava para, em Minas Gerais, esquecer a decepção pela ausência na Copa de 2010, superar os poucos títulos coletivos no Grêmio e até impedir que a palavra “arrependimento” viesse à cabeça, uma vez que ele já havia rejeitado uma proposta da Fiorentina – os italianos haviam oferecido 5 milhões de euros ao Tricolor.
 
Ele era inegociável. Pelo menos até o dia em que o agente levou o interesse do Galo ao então mandatário gremista, Paulo Odone. E saiu da reunião com um número: 6 milhões de euros. O Atlético não tinha essa quantia em mãos, mas contava com uma carta na manga para convencer os gaúchos. “O presidente Kalil disse para a gente ‘ir para cima’ do Grêmio. Ofereceu 3 milhões de euros e mais 50% dos direitos do Werley (zagueiro revelado no Galo)”, lembra o empresário.
 
Dívida
 
Até hoje, o Tricolor Gaúcho acusa ter recebido apenas metade do valor devido pelo Atlético. E está disposto a cobrar a dívida.
 
O diretor jurídico do Grêmio, Nestor Hein, negou que haja ação na Justiça contra o Galo. Mas, segundo ele, dificilmente haverá um acordo amigável.
 
Já o advogado alvinegro Lázaro Cândido argumenta que é preciso um “ajuste de contas” entre as partes, uma vez que o Galo deveria receber um valor pelo fato de Werley ter sido emprestado ao Santos.
 
“Temos um valor para receber deles também, pois 50% do Werley são do Galo e, em caso de empréstimo, havia uma cláusula prevendo pagamento ao Atlético”, argumenta.
 
“Houve várias consultas do mercado europeu ao Victor. Mas entendemos que a identidade dele com o Galo e a sequência de disputas de título impedem que ele tivesse interesse em sair” Fabio Mello - Empresário do camisa 1