O título mais importante da carreira, num país pouco preparado para sediar um evento tão grandioso como os Jogos Olímpicos. É desta forma que Rogério Micale, treinador da Seleção Brasileira na Olimpíada Rio-2016, enxerga a conquista inédita, que nesta segunda-feira (20) completa dois anos. O telefone, inclusive, não parou de tocar.

Descansando em Curitiba e acertando os últimos detalhes da rescisão contratual com o Paraná, clube que livrou na zona de rebaixamento no Estadual, mas que não conseguiu sucesso no primeiro turno do Brasileirão, o comandante de Neymar e companhia afirma que o ouro mudou sua vida, mas lamenta o rombo que o evento deixou em terras tupiniquins.

"Na época da própria Olimpíada, eu falei que eu não concordava com a realização da mesma no Brasil. Tinhamos várias outras prioridades, ao invés de realizar um Jogo, com o perfil de administradores que nós temos. Desviaram dinheiro, prometeram usar para melhoria de meio ambiente, locomoção, e a gente vê que muita coisa não saiu do papel", observa Micale em entrevista exclusiva ao Hoje em Dia.

"Com esse tipo de administração, volto a dizer: é aquilo que a gente previa. Não foi um bom negócio realizar. Legado de dívidas, de roubo, obras inacabadas, conchavos... o Brasil, na verdade, quando atrai algum evento nesse sentido, é porque existem outras intenções por trás", acrescenta.

Sobre a condução da carreira após a conquista, Rogério diz que o reconhecimento por parte dos brasileiros foi imenso, principalmente por ter sido a última conquista obtiva pela Seleção. Os insucessos em Atlético e Paraná, inclusive, não o desmotivam a seguir na luta por novas conquistas para o currículo.

"Não tenho medo de rótulos. Não me deixo rotular pelas opiniões externas. Temos que saber quem somos. Para mim, somente iniciei minha tragetória como técnico de futebol", diz o treinador.

"Ganhei todas as competições na base. Todas as possíveis. Agora estou vivendo este novo ciclo, de um treinador que carrega a marca da medalha (olímpica), esta que o distingue, que ninguém ganhou", conclui Micale, que também foi bronze nos Jogos Pan-Americanos e finalista do Mundial Sub-20.

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Decepção no Atlético e missão cumprida no Paraná

Demitido há poucos dias do Paraná Clube, o técnico campeão olímpico não deixa o Tricolor com sentimento de frustração. Pelo contrário. Com toda dificuldade de encaixar uma equipe que há dez anos não disputava a elite nacional, ele vê que foi até onde podia: na 18ª rodada, para ser mais exato.

"Cheguei no meio do Paranaense, quando o time estava na zona de rebaixamento e não perdemos mais. Acabamos entre os primeiros.  Eu sabia da dificuldade, mas precisava viver essa oportunidade. Até então, eu estava trabalhando com jogadores de maior nível técnico, então precisava viver um outro lado da moeda", conta.

Esperando novas oportunidades, Rogério Micale parece não ter engolido a demissão do Atlético, clube pelo qual conquistou diversas competições nas categorias de base, e onde recebeu a missão de suceder Roger Machado em 2017.

Com apenas 13 jogos no comando do alvinegro, ele perdeu o posto após a derrota para o Vitória, por 3 a 1, em pleno Independência. Contudo, na mesma época, acabara de levar a equipe à final da Primeira Liga.

"Cheguei no Atlético num momento conturbado, de ano de eleição. O trabalho foi interrompido. Não consegui treinar a equipe nos primeiros jogos e, quando conseguimos ter duas semanas cheias de trabalho, conseguimos chegar à final da Primeira Liga", relembra.

"Fui desligado após cinco jogos de invencibilidade. Participei de um processo de rejuvenescimento do elenco, proposto pela diretoria, mas não tive tempo para trabalhar. Prova disso é que, depois disso, o Atlético seguiu na mesma. Peguei o time em 13º (no Brasileirão), larguei em 11º e no final (com Oswaldo de Oliveira) acabou em nono", acrescenta.

"Passei por momentos de glórias na minha carreira e agora estou esperando novas oportunidades, cada dia mais maduro", finaliza.

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