Pressionada pelos escândalos de corrupção que se abateram sobre a entidade, desde a prisão de sete dirigentes em junho - entre os quais ex-presidente da CBF José Maria Marin -, a Fifa anunciou nesta terça-feira (20) uma reforma no seu estatuto que afetará diretamente já o próximo presidente.

Ele não poderá permanecer no cargo com mais de 74 anos de idade. E este não é a única novidade. A partir de agora, só serão permitidas duas reeleições, ou seja, poderão ter no máximo três mandatos consecutivos, ou 12 anos de poder.

Se a medida já estivesse valendo, o suíço Joseph Blatter teria deixado o comando da Fifa há cinco anos. O dirigente tem 79 anos e está há 17 à frente da entidade que governa o futebol mundial. O mesmo valeria para os dirigentes anteriores. O brasileiro João Havelange ficou 24 anos no poder. Eleito em 1974, ele deixou o cargo com 82 anos de idade. Já Stanley Rous ficou 13 anos na presidência da Fifa e saiu quando tinha 79.

As mudanças serão votadas no Congresso Geral da entidade, que será realizado no dia 26 de fevereiro de 2016, em Zurique. Nesta data será eleito o novo presidente. A data foi confirmada pela Fifa, já que se especulava
possível mudança.

"É fácil colocar a culpa em outras pessoas que tenham claramente causado grande dano para o nosso esporte, mas esta não é mais uma opção para os líderes da Fifa. Temos de aceitar que a Fifa tem o ônus de corrigir seu próprio rumo. Os líderes da Fifa devem reconhecer e aceitar que os erros do passado eram reais, e eles eram inaceitáveis", diz um comunicado divulgado nesta terça-feira pela entidade.

Joseph Blatter, presidente da Fifa, e Michel Platini, presidente da Uefa, estão suspensos por 90 dias. Nesta terça-feira, o chefe da auditoria da Fifa, Domenico Scala, afirmou que há conflito de interesse na relação entre Blatter e Platini. A investigação feita pelo comitê mostra um pagamento a Platini de cerca de R$ 8 milhões, com a autorização de Blatter, por serviços prestados entre 1998 a 2002.