No mercado em busca de reforços para encorpar o elenco para a próxima temporada, o Cruzeiro vive uma nova realidade no mercado de transferências.

Se em 2019 a Raposa investiu pesado em jogadores badalados, no ano passado, talvez no ápice de sua crise econômica e institucional, o clube estrelado trouxe peças de forma emergencial, para conseguir formar um plantel para o início dos campeonatos.  

No cenário atual, o Cruzeiro ainda sofre com a perda de receitas por não ser conseguido o acesso à Série A, o que mantém a instituição em sérias dificuldades financeiras.

Entretanto, diferentemente do caos no final de 2019, a Raposa tem definido um planejamento, que tem como tripé o presidente Sérgio Santos Rodrigues, o diretor de futebol André Mazzuco e o técnico Felipe Conceição.

Medalhões e fracassos

Em 2019, Raposa investiu em reforços e trouxe jogadores badalados, como Rodriguinho, Pedro Rocha, Dodô e Orejuela.

As contratações, aliadas ao um elenco de estrelas, como Fábio, Dedé, Thiago Neves, Fred e cia, criaram uma grande expectativa no torcedor, que acreditava em um ano de conquistas.

Entretanto, uma série de problemas extracampo, especialmente em relação a denúncias de corrupção conta a antiga diretoria, liderada por Wagner Pires de Sá, e a queda de rendimento do time, terminaram com um traumático rebaixamento.

Indefinições e dificuldades em contratar

Após a queda à Série B e em meio a uma crise política sem precedentes, a Raposa iniciou a temporada 2020 cercada de incertezas.

Com a indefinição de quais jogadores permaneceriam no clube e com poucos recursos para ir ao mercado, o então técnico Adilson Batista chehou a ter dificuldades até em formar dois clubes para realizar treinamentos coletivos na Toca da Raposa II.

Diante da situação, o conselho gestor – que administrou o Cruzeiro de dezembro de 2019 a junho de 2020 – recorreu a contratações emergenciais para encorpar o elenco, formado até então sua maioria por garotos formados nas categorias de base. 

Com isso, nomes até então pouco conhecidos como os de João Lucas, Ramon, Roberson, Machado, Jonatha Robert chegaram ao clube.

Ídolo nos azuis, Marcelo Moreno foi a contratação de impacto no primeiro semestre do ano passado.

Juntamente com Everton Felipe, ex-São Paulo, Athletico-PR e Sport, os dois eram os reforços mais conhecidos do grupo nos primeiros meses do ano passado.

Com o fracasso no Mineiro, e já sob a presidência de Sérgio Santos Rodrigues, e o comando técnico de Enderson Moreiro, a Raposa novamente foi às compras, trazendo jogadores mais conhecidos, como Jean, Cáceres, Régis e Arthur Caíke para a disputa da Série B.

O retorno de peças que participaram do rebaixamento no Brasileiro, exemplo de Sassá, Henrique, Marquinhos Gabriel e Jadsom, também foi tentado, mas sem sucesso em campo.

Além de uma despesa alta com os salários desses jogadores (acertados antes do rebaixamento), a Raposa não teve retorno técnico durante a disputa.

Rafael Sóbis e Manoel, contratados durante o Brasileiro, foram as exceções, conseguindo agregar qualidade e liderança, evitando uma campanha ainda pior do time na competição

2021 

Com os erros das últimas temporadas frescos na memória, e novamente com pouco poder de investimento, o Cruzeiro vive uma nova realidade nesta janela de transferências.

Ciente do momento atual do clube, o técnico Felipe Conceição vem indicando jogadores com um perfil mais modesto em relação aos últimos anos.

Tal postura foi reforçada por André Mazzuco, em conversa com sócios-torcedores do clube, durante a última semana. 

"Cabe a nós qualificar a equipe, dentro da nossa realidade. Não dá para esperar grandes coisas. Grandes coisas no sentido de investimento, porque nós não temos. Mas seremos muito assertivos dentro do perfil", disse Mazzuco. 

Negociações com o volante Matheus Neris, ex-Figueirense e vinculado ao Palmeiras, com Marcinho, camisa 10 do Sampaio Corrêa na última Série B, e com o atacante Felipe Augusto, que não teve o contrato renovado com o América, deixam claro a mudança de filosofia da Raposa.

Com poucos recursos, a diretoria e a comissão técnica apostam em jogadores com experiência de Série B, que tenham mostrado destaque recente no torneio, além de terem vencimentos compatíveis com a situação do clube.

Alan Ruschel, conhecido pela incrível história de vida, que disputou e conquistou a última edição da segunda divisão nacional com a Chapecoense, é outro que estar no radar dos mandatários, se encaixando nesse novo perfil buscado. 

Ao invés de apostar em medalhões com altos salários, ou em contratações com pouco embasamento técnico, a cúpula estrelada quer montar um time sem estrelas, mas que consiga fazer um bom papel na temporada, e leve o Cruzeiro de volta à Série A.

"O nosso perfil de equipe passa por atletas competitivos na competição, que possam agredir, ter bons números, que possam definir partidas para nós", explicou o diretor de futebol da Raposa.