No interior de Minas Gerais, na cidade de Leopoldina, um jovem garoto sonhava, um dia, em ser jogador de futebol. Em busca da realização de seu sonho, o menino carinhosamente chamado de “Nonoca”, em homenagem ao falecido pai - que também carregava o mesmo apelido -, começou a jogar bola nos “campinhos” do seu bairro, o Quinta Residência. E quis o destino que uma grande equipe brasileira, o Cruzeiro, enxergasse potencial no jovem, à época com apenas 15 anos, em uma final de campeonato juvenil, quando atuava pelo modesto Ribeiro Junqueira, equipe de sua  terra natal. 

“O Nonoca hoje tem 18 anos e ficou dois (anos) conosco, até jogarmos com o Cruzeiro, na cidade de Ubá, a final de um campeonato sub-15. Como mostrou ser um menino de habilidade, volante forte e combativo, o Cruzeiro se interessou por ele. Acreditávamos muito nele e tinhamos certeza que ele iria longe, como tem ido. É difícil tomar a bola dos pés do Nonoca, que também joga na meia se precisar”, contou ao Hoje em Dia um dos primeiros técnicos do garoto, Antônio Valentim. 

Introvertido e de jeito pacato, Nonoca chegou de forma prematura ao elenco principal, já que ainda tem idade para atuar na equipe sub-20. Ao ser promovido, ganhou todo o destaque e, diferentemente de como era tratado na base, passou a ser conhecido pela imprensa e na Toca II como Lucas Ventura. Alcunha pela qual ele ficou conhecido por pouco tempo. 

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Nonoca (6º da esquerda para a direita) em uma partida pelo Ribeiro Junqueira 

“O pai dele também jogava futebol, era um jogador de talento, mas de personalidade muito forte. Era chamado de Nonoca e faleceu cedo. Daí a origem do apelido do Lucas, uma referência ao pai”, contou o ex-treinador. 

Quando o Cruzeiro confirmou a contratação do volante Lucas Silva, o técnico Marcos Valadares, da equipe sub-20 da Raposa, tentou puxar novamente o garoto para a base. Pedido que foi rejeitado por Mano Menezes, que também foi um dos incentivadores para que Lucas ficasse conhecido e fosse chamado de “Nonoca”. 

Após a experiência de ser relacionado pela primeira vez para um jogo oficial, contra o Murici, pela Copa do Brasil, Nonoca dá mais um passo rumo à sua realização pessoal. 

“Fico feliz por já ter sido relacionado, é um sonho realizado. Vou seguir trabalhando firme no elenco principal para quem sabe ganhar mais oportunidades e ficar sempre à disposição do Mano Menezes. Minha intenção é trabalhar bem, ser relacionado para mais jogos e jogar. Isso me fará pegar mais confiança”, disse o garoto à reportagem.

Com passagens pela Seleção Brasileira de base, Nonoca tem pela frente um enorme desafio. Além da idade, da busca por maturidade, o jogador tem uma enorme concorrência por uma vaga no meio-campo. Além dele, outros seis atletas disputam duas vagas (Henrique, Ariel Cabral, Robinho, Hudson, Lucas Romero e Lucas Silva). 

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Segundo da esquerda para direita, Nonoca tem passagens pela Seleção de base

Para conquistar ainda mais espaço no grupo principal, Valentim dá dicas a Nonoca. “É um garoto que tem tudo para vencer. Mas de tão humilde que é, fala pouco. Ele precisa ser mais extrovertido, se soltar diante dos mais experientes. Dentro de campo ele sabe o que fazer, é extremamente aplicado. Falo do lado pessoal, isso também o ajudará a se firmar. Acredito muito nele, tem raça, vontade”, opina. 

E justamente o contato com os grandes personagens e atletas do grupo principal cruzeirense podem fazer Nonoca ser mais “ativo” no tratamento interpessoal. 

“O elenco todo me dá muita moral. É muita gente me orientando, principalmente o Henrique, que é da minha posição e bem experiente. Também gosto muito do Dedé, grande jogador que me orienta bastante também. O Mano é um grande treinador, gosta de orientar no treinamento. Um cara do bem, sabe conversar. E estar perto do Rafael Sóbis, do Henrique, caras de quem sou muito fã, é uma honra. Vestir a camisa do Cruzeiro, ver o Mineirão bonito com a torcida, participar dos jogos. Isso me deixa feliz”, comentou. 

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Nonoca (ao centro) com os companheiros Henrique (esq) e Manoel (dir)