Suspensa desde sexta-feira (11) por decisão liminar, a assembleia eleitoral que elegerá o coronel Antônio Carlos Nunes como um dos cinco vice-presidentes da CBF deve ocorrer nesta quarta-feira (16). A aposta é da CBF, que tenta derrubar a suspensão ainda nesta terça. A maioria dos 27 presidentes de federações, que fazem parte do colégio eleitoral, já se encontra no Rio de Janeiro. E pelo menos 12 deles estiveram na entidade ao longo do dia.

Na CBF, existe a convicção de que o pleito acontecerá. "Estamos trabalhando para que essa decisão (liminar) seja suspensa nos limites e no rigor da lei. Nós vamos respeitar a legislação, como não poderia ser diferente", disse nesta terça-feira o secretário-geral da CBF, Walter Feldman, negando que a eleição venha a acontecer "de qualquer maneira", como chegou a avaliar em um de seus despachos o próprio juiz que suspendeu a eleição.

Feldman também procurou negar que a intenção da assembleia seja garantir que a presidência da entidade fique nas mãos de um aliado do presidente licenciado Marco Polo Del Nero, caso o cartola seja afastado definitivamente do cargo. Atualmente, o primeiro na linha sucessória é um desafeto de Del Nero, Delfim Peixoto, que perderia essa prerrogativa para o coronel Nunes devido ao fato de o dirigente paraense ser mais velho.

"Acho que essa interpretação é um pouco açodada. O que haverá amanhã (quarta) é a eleição de um vice-presidente para ocupar uma vacância", disse Feldman. "Não é para dirigir a CBF. Na nossa avaliação o presidente Marco Polo voltará a sua função efetiva."

O secretário-geral também defendeu a escolha do coronel Nunes, a quem se referiu como "presidente", provavelmente em alusão ao fato de ele ser o mandatário da federação paraense. "O presidente Nunes tem um abaixo-assinado de quase a totalidade das federações, e a informação que eu tinha até ontem (segunda) é que 12 clubes da Série A já haviam assinado, e mais de dez clubes da Série B. Essa é uma manifestação do colégio eleitoral, que democraticamente, na estrutura atual da CBF, escolhe seus representantes", comentou Feldman.

Questionado pela reportagem sobre a razão de a CBF não tornar público o seu estatuto, Feldman foi evasivo. "Estamos fazendo toda a reformulação do estatuto. O estatuto, além das mudanças que ocorreram na última assembleia administrativa, mudanças importantes em relação à modernização e ao processo de alternância democrática, nós achamos que deve passar por um processo mais profundo de alteração estatutária", comentou.

"É um momento de transição. Ele será publicado, como recomenda a boa transparência, no momento que tivermos o estatuto mais modernizado em relação ao momento atual."