Jogador identificado com o Cruzeiro e que quando vestiu a camisa do clube ganhou fama por ser artilheiro nas decisões. Roberto Gaúcho atuou por 11 equipes, mas foi com o uniforme estrelado que ganhou notoriedade, fama no Brasil e conquistou títulos importantes.

Após interromper precocemente a carreira por causa de uma grave lesão no joelho, o ex-jogador tenta emplacar na carreira de treinador. E conta aqui no Hoje em Dia alguns detalhes de sua vida dentro e fora dos gramados. Como, por exemplo, o estágio que fez com Renato Gaúcho, atualmente um técnico da prateleira de cima do futebol nacional, e seu ex-companheiro de Toca I. 

Como você chegou ao Cruzeiro? 

Comecei minha carreira no Grêmio e, em 1992, o César Masci me trouxe para o Cruzeiro. Eu estava no Guarani de Campinas, onde fiz um Campeonato Brasileiro brilhante. Acabei ficando quase sete anos e meio em Belo Horizonte, conquistando muitos títulos. Fui feliz com a camisa do Cruzeiro e escrevi uma história muito bacana, muito bonita. O Cruzeiro sempre formou grandes times e isso ficou marcado na minha vida.

Na sua época como jogador não havia Whatsapp, internet, como foi o contato com César Masci?

Verdade, não tinha nada disso. Hoje é uma maravilha, na minha época era tudo difícil. Eu estava bem no Guarani, ficamos 12 jogos invictos no Campeonato Brasileiro. Joguei ao lado do Sonny Anderson, o Gustavo, lateral-direito que também jogou no Cruzeiro, tinham bons jogadores lá. Surgiram propostas do Cruzeiro e do Corinthians, mas eu escolhi vir para Minas Gerais. Graças a Deus escolhi o time certo, o time do meu coração, onde conquistei muitos títulos importantes. Tenho um carinho enorme pela torcida celeste que me trata bem até hoje. 

Você ganhou fama por ser artilheiro das decisões. Como você se sente por isso? 

Foram vários títulos. Graças a Deus fui sempre iluminado. Gostava de jogar jogo grande, não gostava muito de jogo pequeno (risos). Começou com a Supercopa, e eu fiz dois gols na final contra o Racing. O Cruzeiro tinha uma seleção. Na minha opinião um dos melhores times da história com Renato Gaúcho, Boiadeiro, Nonato, Luizinho, o zagueiro, que era um fenômeno. Em 1993, na Copa do Brasil, fiz o primeiro gol. Em 1996 ganhei outra Copa do Brasil, também com gol. Sempre iluminado, fiz gol de título em Campeonato Mineiro, ganhei Recopa, Copa Ouro, isso que é importante, ficar na história do clube ganhando título. 


Na final da Copa do Brasil de 1996 você fez um gol e foi em direção ao Vanderlei Luxemburgo, que era técnico do Palmeiras, e extravasou em cima dele. Por que você fez isso?

É que o Luxemburgo achou que já era o campeão, falou um monte de coisa e isso mexeu muito com a gente. A imprensa de São Paulo também. Fiquei meio revoltado, aí passei na frente do banco, bati no escudo e falei que o Cruzeiro era um clube de tradição, camisa pesada e de muitos títulos, e xinguei ele mesmo. Mas depois a gente se encontrou, eu pedi desculpa e hoje somos amigos, não tem problema nenhum.

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Como eram os clássicos na sua época?

Na minha opinião tudo era mais bonito. Eram mais de 90 mil pessoas em campo, os dois lados divididos. A torcida do Atlético era revoltada comigo. Fui feliz demais, ganhei muito mais do que perdi . O Cruzeiro ganhou quase tudo na década de 1990, o Atlético estava em uma fase difícil, nosso time era muito melhor. O Ronaldo Fenômeno destruiu em um jogo, eu ele, o Cleison. Era bacana porque o estádio era dividido. Mas hoje a rivalidade é diferente. Acho até que é menor. 

Porque o Roberto Gaúcho saiu do Cruzeiro?

 

Meu último clube no país foi o Cruzeiro. Em 1999 eu encerrei a carreira, porque tive uma lesão grave, não voltei a jogar mais e não quis colocar o Cruzeiro na Justiça. Isso ninguém sabe. O André, ex-goleiro, entrou e ganhou um dinheirão. Eu poderia, porque machuquei em um jogo contra o Grêmio, dentro do Mineirão, trabalhando, mas não coloquei o Cruzeiro (na Justiça). Eu tenho um amor pela instituição, pela camisa. Eu não me arrependo de nada, por isso tenho as portas abertas no clube. Trabalhei em outros clubes, mas eu não tive a identificação que tenho no Cruzeiro, onde ganhei muitos títulos, reconhecimento. Eu devo tudo ao Cruzeiro.

Essa lesão afetou o seu psicológico?

Eu estava no melhor momento da minha vida, 27 para 28 anos é o auge do jogador. Acredito que eu ia para a Seleção Brasileira. Fomos campeões da Copa do Brasil e, logo em seguida, dois meses depois, o Luciano zagueiro, que hoje é treinador, me deu um carrinho. O Palhinha enfiou a bola para mim, eu dei o drible no zagueiro, ele me deu um carrinho, a grama era alta e cheia de buraco, e eu pisei em falso quando pulei, aí rompeu tudo. Contusão gravíssima, a medicina não era avançada. Não consegui voltar mais. Até tentei na Copa Centenário como capitão do time do Paulo Autuori, mas vi que não estava a mesma coisa, sentia muita dor, inchava direto. Com 29 para 30 anos ainda fui para os Estados Unidos, para o Miami Fusion, e estourei cruzado e menisco do joelho esquerdo, aí parei de jogar. O último clube da minha carreira no Brasil foi o Cruzeiro. 

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Se você não tivesse se machucado o ano de 1996 seria ainda mais brilhante para você e para o Cruzeiro? E você estaria no time que conquistou a Libertadores em 1997? 

Eu era titular absoluto. Com certeza, porque quando eu machuquei o Cruzeiro contratou o Elivélton. Eu estava no grupo também, fui campeão da Libertadores, mas não joguei. Eu sofri muito nos três primeiros anos após a lesão, pois parei de jogar muito novo. Meus amigos todos jogaram até 30, 31 anos. Mas Deus sabe de todas as coisas, ganhei muitos títulos, não tenho o que reclamar de nada. Agradeço que estou com saúde, estou caminhando, sou treinador de futebol e estou na área que eu gosto. Foi uma fatalidade. Aconteceu também com outros jogadores. Tenho só o que agradecer por tudo que ganhei no futebol.

Você falou no Renato Gaúcho. Vocês foram campeões juntos. Vocês têm contato até hoje?

O Renato é top, começou meio boleirão como técnico, mas focou na carreira e é o melhor treinador do Brasil hoje. Acredito que se o Tite não permanecer, o Renato tem tudo para assumir a Seleção. Me espelho muito nele. Meu estilo de trabalhar é o dele. Estilo de tratar o jogador com carinho, respeito, mas cobrando também. Fiz estágio com ele quando foi campeão da Libertadores. É um cara que merece todo sucesso do mundo. Jogou muito no Cruzeiro. Se ele tivesse ficado mais tempo teríamos vencido o Brasileiro e tudo. Foi uma pena que o César Masci não segurou o Renato, acho que por pouca coisa na época. Torço muito pelo Renato.

E sobre sua nova atribuição no futebol, como treinador?

Eu já venho há anos tentando, há sete, oito anos, mas é uma profissão difícil, sem um empresário forte, infelizmente, é complicado. No Brasil nem sempre os melhores estão trabalhando. Sigo na luta, fizemos uma campanha brilhante no Valério, com poucas condições. Em 17 jogos perdemos só uma partida. A gente fez um trabalho bom e em breve surgirá uma equipe com melhores condições e estrutura para mostrar serviço. Estou na expectativa de na virada do ano estar empregado.