Atlético

Existe toda uma mística em cima do camisa 9 no Atlético. E uma responsabilidade em trajar o uniforme preto e branco com esse número nas costas. Vestindo esse manto, Dadá Maravilha, autor de 211 gols pelo Galo, tantas vezes desafiou a lei da gravidade e parou no ar, como um beija-flor, para estufar as redes adversárias – como em 1971, há 50 anos, para superar o Botafogo e fazer o atleticano soltar, pela primeira vez em sua história, o grito de campeão brasileiro.
 
A Reinaldo também foi dada essa responsabilidade. E dele, a 9 ganhou uma conotação que ia além da de goleador máximo do clube (255 gols): a de gênio, a de craque, que em inúmeras ocasiões calou torcedores de outras praças. O braço levantado a cada comemoração também tinha um significado que transcendia o futebol e que até hoje reverbera, servindo de exemplo na luta contra o racismo. Braço que voltou a ser erguido por Hulk, em máximo respeito ao eterno Rei.
 
A 9 também fez de Marques e Tardelli heróis com a camisa alvinegra. O primeiro, por seu estilo arisco, ágil, como um mestre de cerimônias para um baile diante dos oponentes, e também pela faceta de artilheiro, conferindo a ele 133 tentos pelo clube. Ao outro, pela incrível facilidade de encontrar nos menores espaços o local propício para o ateliê de suas pinturas e gols memoráveis, vide o do título da Copa do Brasil de 2014, em cima do Cruzeiro, um de seus 112 gols pelo Galo.
 
O curioso é que não houve alguém que vestisse a 9 no bicampeonato brasileiro. O que não quer dizer que essa camisa não tenha aparecido na caminhada rumo ao título. Ao longo da competição, o 9 se metamorfoseou em 7, conferindo a Hulk um lugar entre os maiores jogadores da história do Atlético (como Jô e Guilherme, outros artilheiros que carregavam a 7).
 
Em outras ocasiões, ganhou o ‘1’ na frente, se tornando 19, de Diego Costa, centroavante que tanto ajudou o time no segundo turno da Série A. Houve momentos em que o 9 tomou a forma de 15 (Zaracho), 26 (Nacho), 11 (Keno), 17 (Savarino), 10 (Vargas), 18 (Sasha)... E até de 3. Sim! Com a 3, Alonso também teve seu dia de 9, ao anotar um gol sobre o Fortaleza, nos 2 a 0, no Castelão. Outro zagueiro que balançou as redes no campeonato foi Nathan Silva, autor de três gols, sendo dois deles decisivos, sobre Juventude (2 a 1) e Santos (3 a 1).
 
Não importa o número que estivesse às costas dos comandados de Cuca: a mística da 9 não deixou de marcar presença, fazendo jus ao legado de Reinaldo, Dario, Marques, Tardelli e companhia. O próprio comandante também foi 9, pois assumiu a responsabilidade de ser decisivo novamente, como em 2013, quando venceu a Libertadores. E coloca agora no rosto de cada torcedor mais um sorriso. Mais uma gama de lágrimas de alegria.
 
Falando em torcedor... Já diziam os clichês do futebol, se “o torcedor é o centroavante do time”, hoje, cada um dos milhões deles, espalhados por todo o planeta, carrega consigo a mística da 9. Cada um deles, também foi um camisa 9 nessa trajetória do bi. Cada um deles, se sentiu como um 9 a fazer o gol do título.