“Desde pequeno eu falei para Deus que queria ter o privilégio de atuar em uma equipe grande, e ele me colocou em uma equipe grande, com uma estrutura enorme. Agora é trabalhar para dar muitas alegrias”. Estas foram as primeiras palavras de Luan com a camisa do Atlético, em janeiro de 2013. 

É verdade que o Menino Maluquinho, contratado da Ponte Preta, enfrentou algumas tempestades no Galo, mas, também, deu muitas alegrias ao clube. Sábado (16), contra o Fluminense, no Maracanã, Luan completará 300 jogos pelo Atlético, sendo o terceiro jogador a atingir esta marca no atual elenco – Victor, com 418 partidas, e Leonardo Silva, com 386, são os outros atletas que chegaram ao feito. 

Luan


Foram momentos de alegria, como o título da Libertadores de 2013 e a Copa do Brasil de 2014, e situações de tristeza, como as cirurgias no joelho em 2016 e as vaias da torcida em parte desta temporada. 

"É importante, uma marca expressiva que muitos almejam conquistar, mas poucos têm o privilégio. Sou grato por tudo e fico muito feliz por atingir essa marca de 300 jogos vestindo uma camisa tão pesada e tradicional”, comemorou Luan em entrevista ao site do Atlético

Em 299 jogos pelo Galo, o atacante marcou 48 gols. 

A estreia

A primeira partida aconteceu com certo atraso porque Luan chegou ao Atlético com uma contusão no púbis. A estreia foi no dia 13 de fevereiro, na vitória por 2 a 1 sobre o São Paulo, no Independência, pela Libertadores. O “Menino Maluquinho” entrou aos 24 minutos do segundo tempo no lugar de Diego Tardelli e deixou um bom cartão de visita. 

O primeiro gol

O quarteto ofensivo do Atlético impunha respeito. Ronaldinho Gaúcho, Bernard, Tardelli e Jô incomodavam os adversários. Luan era uma espécie de 12º jogador e entrava em praticamente todas as partidas. O primeiro gol aconteceu no dia 3 de abril, na goleada sobre o Arsenal, da Argentina, por 5 a 2.  Foi o terceiro tento do time alvinegro naquele jogo, no minuto inicial do segundo tempo. 

O primeiro título

Luan teve participação importante na conquista do Campeonato Mineiro de 2013. O Galo perdia para o Cruzeiro por 2 a 0 e, se a Raposa fizesse o terceiro gol, ficaria com o título. O Menino Maluquinho entrou aos 22 minutos do segundo tempo no lugar de Bernard. Dez minutos depois, aproveitou falha de Egídio, recuperou a bola e sofreu pênalti do próprio lateral. Ronaldinho cobrou e fez o gol do Galo, decretando o troféu do Estadual para o alvinegro. 

Luan ainda teve tempo de ter sido expulso após cometer falta por trás sobre Dagoberto. Foi o primeiro cartão vermelho do atacante no clube. 

Libertadores: o grande título

Luan foi importante no maior título da história do Atlético. Considerado o talismã do time, o atacante marcou um gol importante naquela Libertadores.  O gol do empate por 2 a 2 com o Tijuana, no México, foi essencial para a classificação às semifinais. O avanço de fase foi confirmado no dramático empate por 1 a 1, na partida de volta, no Independência graças ao pênalti defendido por Victor em cobrança de Riascos. 

Gol em Mundial

O Mundial é uma das grandes frustrações da história do Galo. A equipe foi eliminada pelo modesto Raja Casa Blanca, do Marrocos, após perder por 3 a 1 a semifinal. Mas Luan deixou a sua marca na disputa pelo terceiro lugar. Fez o gol da vitória por 3 a 2 sobre o Guangzhou Evergrande, da China.


Decisivo na Copa do Brasil de 2014

Luan foi um dos principais jogadores na conquista da Copa do Brasil, em 2014. O Menino Maluquinho marcou gol em todas as fases do torneio. Contra o Flamengo, na semifinal, o jogador virou heroi. O atacante fez, nos acréscimos, o gol da classificação para a decisão. Uma goleada por 4 a 1 que ficou marcada como uma das grandes viradas da história do Atlético.

Na grande final, contra o Cruzeiro, o atacante balançou a rede no jogo de ida, na vitória por 2 a 0, no Independência. Na segunda partida, no Mineirão, o Galo voltou a vencer – 1 a 0 com gol de Tardelli.

2015: ano artilheiro e do jogo 100

A única conquista em 2015 foi o Campeonato Mineiro. O Galo derrotou na decisão a Caldense, em Varginha, por 2 a 1. Se não foi um ano de grandes títulos, foi a temporada que o atacante fez mais gols: 12 ao todo. 

A temporada também marcou o centésimo jogo de Luan pelo Atlético. A marca foi atingida no empate por 1 a 1, contra o Cruzeiro, no Mineirão, no dia 8 de março. 

2016: grave lesão no joelho

Foi o ano em que o Menino Maluquinho menos entrou em campo com a camisa do Galo. Foram apenas 24 jogos na temporada. Em abril, o médico Rodrigo Lasmar expôs a grave lesão no joelho de Luan. O atacante passou por artroscopia após viajar para os Estados Unidos para avaliar o problema. Foi até cogitado um procedimento com enxerto de cartilagem de cadáver como alternativa final.

Seca de gols em 2017

Luan não teve o protagonismo de outras oportunidades. Com apenas dois gols marcados, foi o ano menos artilheiro do atacante. Na conquista do Campeonato Mineiro - único título em 2017 e, por enquanto, a última conquista do alagoano pelo Galo -, o atacante ficou no banco de reservas nos dois jogos das finais contra o Cruzeiro. As lesões voltaram a atrapalhar o alagoano em boa parte da temporada. 

Jogo 200 e frequência em campo

O 2018 não teve título. Apesar da falta de conquista, Luan comemorou a frequência em campo na temporada. Com 56 jogos, o Menino Maluquinho teve o segundo ano mais atuante pelo clube - atrás apenas de 2013 com 63 partidas.  

Em 2018, Luan comemorou 200 jogos no empate em 1 a 1 com o Tupi, em Juiz de Fora, no dia 25 de fevereiro. Em maio, o alagoano renovou seu contrato com o Atlético até 2022. Mas, no final do ano, o atacante quase deixou o Atlético em negociação com o Corinthians.

Vaias e volta por cima 

Luan não foi para o Corinthians. O atacante ficou no Galo, mas convive com uma temporada com altos e baixos. Em mais um ano sem título, o jogador recebeu as maiores vaias com a camisa do Atlético no empate em 2 a 2 com o Fortaleza, no Independência, pela 11ª rodada do Campeonato Brasileiro. O atacante errou um pênalti naquele jogo.

Parecia o fim da "era Luan" no Atlético. Após nem ser relacionado para enfrentar o Colón, na Argentina, pela semifinal da Copa Sul-Americana, o Menino Maluquinho reconquistou a titularidade e o prestígio de parte da torcida. 

 

*Colaborou Hugo Lobão