Quando Antônio Gonçalves, o Tuniquinho, precisava de ajuda como pedreiro, chamava o filho para ajudá-lo no trabalho pesado. Leandro Donizete, contudo, largou o cimento e a pá para seguir o caminho da bola.

Palco do duelo desta quinta-feira (9) entre Fluminense e Atlético, o Maracanã deixou de ser apenas um amontoado de concreto e tijolo para o volante. Por conta do sucesso profissional, o mais famoso estádio do país virou um dos privilégios de sua carreira de atleta.

“Tenho muito orgulho do meu passado, ajudando meu pai como servente de pedreiro. Também fui catador de laranja. Mas consegui sucesso em um esporte em que poucos atletas vingam. Hoje, posso jogar no Maracanã, o que é sempre especial”, conta Donizete ao Hoje em Dia.

As duas equipes medem forças em um confronto direto pelo G-4, sendo que o Galo tem apenas dois pontos a mais que o Tricolor carioca. Aos 32 anos, Donizete será um dos líderes de um time desfalcado e cheio de garotos, como Alex Silva, 20, Jemerson, 22, e Carlos, 19.

“Me sinto, sim, com capacidade de dar conselhos para esses jogadores. Eles têm o privilégio de começar em um time grande. Eu comecei em time pequeno (Ferroviária), tinha dia que faltava água. Não tenho medo de dar bronca nem vergonha de chegar neles e dar um toque. Acho que faz parte da minha personalidade”, afirma o volante, conhecido pela firmeza nas palavras e, principalmente, nas divididas de bola durante os jogos.

Incentivo paterno

Em Araraquara, no interior paulista, o então garoto de 14 anos tinha um acordo com o pai. Ajudaria no serviço de pedreiro, mas a qualquer chance de jogar bola seria liberado com todo o incentivo de Tuniquinho.

A carreira profissional significava a oportunidade de uma vida melhor. “Nasci em Araraquara, mas me criei em Santa Lucia. Na fazenda, brincava de bola todo dia. Sonhava em ser jogador de futebol porque era o que eu sabia fazer”, explica.

A carreira, porém, quase foi interrompida quando a Ferroviária entrou em crise. “Fui para o Sub-20, fiquei lá seis meses e fizemos bons jogos, mas o clube entrou em crise, ia acabar. Depois, virou empresa, foi comprado e mandaram me chamar de volta. Fiquei lá quatro anos, fui para o Coritiba e depois cheguei aqui”, comemora.