Sinceridade não é uma virtude muito comum no futebol. Mas num meio em que “verdades absolutas” duram poucos minutos e discursos sem identidade e com afirmações vazias se espalham pelos estádios, uma voz começa a destoar. Sem medo de dizer o que pensa, Levir Culpi vem conquistando o respeito do atleticano não somente pela resposta de sua equipe em campo, mas pelo que responde quando as explicações são necessárias.

Quando o Atlético reencontrar neste sábado (19) a torcida, às 18h30, no Independência, em sua primeira partida na volta do Campeonato Brasileiro, Levir provavelmente perceberá que a Massa está ainda mais próxima a ele. O duelo contra o Bahia, pela 11ª rodada, será o primeiro do Galo no Horto desde a vitória no clássico com o Cruzeiro, por 2 a 1, no dia 11 de maio, ainda pela quarta rodada do Nacional.

De lá pra cá muita coisa mudou. Até o duelo com o maior rival, o Atlético estava cercado pela desconfiança e falta de paciência da torcida, uma realidade muito distante do time que menos de um ano antes havia encantado um continente inteiro ao conquistar pela primeira vez a Copa Libertadores.

Com o respaldo da torcida, Levir estabeleceu algumas verdades dentro e fora de campo. O resultado é a melhora considerável do futebol do Atlético, mesmo que isso acabe desagradando a um ou outro astro do elenco.

Quando o Galo foi eliminado da Libertadores pelo Nacional de Medellín, no começo de maio, Diego Tardelli reclamou publicamente de ter sido substituído. Na última quarta, Ronaldinho deixou o gramado no intervalo e também parece não ter gostado.

Nada que abalasse o treinador, que respondeu aos questionamentos sem rodeios e evidenciou a postura de comandante do barco. Simples, objetivo e direto, como a Massa espera ver o Galo jogar.

Mini entrevista - Levir Culpi
 
Sua postura é de não fazer rodeios, responde o que é perguntado. Como os jogadores veem isso?

A sinceridade, às vezes, é uma qualidade maldita. Uma pessoa superficial geralmente não tem muitos problemas, e quem fala o que sente costuma perceber as dificuldades disso. Mas prefiro dizer o que estou sentindo e isso vale tanto para as entrevistas quanto para os jogadores.

O relacionamento então no vestiário é bom?

Não tenho tempo suficiente para dizer que sou amigos deles, até porque eles ainda não testaram meus limites e eu também não testei o deles. Mas isso vem com o tempo. Para mim, a sinceridade é a melhor maneira de a gente se entender. O que posso dizer é que normalmente me relaciono bem com todos, a ponto até de escrever livro.

Você e o Assis, irmão e empresário de Ronaldinho, conversaram após o treino. Falaram sobre o rendimento de R10?

Conversamos sobre isso, sim. O Assis é responsável pela carreira do Ronaldinho, foi jogador e entende o que está acontecendo. Gosto de conversar, porque é a oportunidade de se expressar e dizer o que está sentindo. Ouvir não custa nada. A conversa só vai nos levar a coisas boas. E isso vale pra qualquer jogador, não é uma situação exclusiva do Ronaldo, que é um ídolo em todo o mundo.

FICHA TÉCNICA
ATLÉTICO-MG X BAHIA

Local: Estádio Independência, em Belo Horizonte
Data: 19 de julho de 2014, sábado
Horário: 18h30 (de Brasília)
Árbitro: Vinícius Furlan (SP)
Assistentes: Carlos Augusto Nogueira Júnior (SP) e Vicente Romano (SP)

ATLÉTICO: Giovanni; Alex Silva, Leonardo Silva, Jemerson e Pedro Botelho; Josué, Claudinei, Dátolo e Guilherme; Luan e André
Técnico: Levir Culpi

BAHIA: Marcelo Lomba; Diego Macedo, Titi, Demerson, Guilherme Santos; Fahel, Uelliton, Léo Gago, Emanuel Biancucchi; Wiliam Barbio e Henrique
Técnico: Marquinhos Santos