O relógio marca 23 minutos do segundo tempo. O Atlético vencia o São Paulo por 1 a 0, no Independência, na estreia da Libertadores de 2013. Cuca percebe que é hora de sacar Diego Tardelli. A placa do quarto árbitro indica que o número 9 dará lugar ao 27. 
 
A torcida aplaude a atuação daquele que havia retornado ao Galo há dez dias. O número 27 fazia sua estreia. E, logo de cara, chamou a atenção por querer participar do jogo como protagonista. Corridas sem freio, pedindo enfiadas de bola em sua direção. Era um “maluco”. 
 
Dois anos exatos já se passaram. O jogador Ganhou massa muscular, viu a primeira filha nascer há sete meses e virou um ídolo da Massa. Hoje não precisa mais pedir a bola com o dedo em riste. Luan virou o que queria ser no primeiro jogo pelo Galo. Um protagonista que, acima das obrigações profissionais, ama o clube. 
 
Você é mais do que um jogador do Galo. É um torcedor, tendo até uma capinha de celular do Galo. E isso não é muito comum...
 
Eu acho isso natural. A capinha eu ganhei de presente e decidi usar por algum tempo. A identificação com o Atlético foi grande. Eu tento dar o máximo que consigo em todos os jogos. Acho que a torcida começou a gostar de mim pelo meu jeito maluco de ser. E depois viu que eu sou um bom jogador, que não é só raça. Depois vieram as conquistas e você vai construindo uma ótima reputação na equipe. 
 
E sobre objetos relacionados ao Atlético. Você tem outros?
 
Todo jogador tem esses objetos que remetem ao clube. Camisa, quadro, boné... Mas o que eu carrego mesmo do Atlético está no coração.
 
Você gosta de tatuagens com simbolismos pessoais. Fez uma recentemente da filha. Já pensou em algum desenho do Atlético?
 
Aí é pessoal. A homenagem à minha filha é bacana. Fiz um relógio que marca a data e a hora do nascimento dela. Falta só escrever o nome (Lara). 
 
E o apelido de menino maluquinho. Você gosta?
 
Ganhei esse apelido da torcida e pegou no grupo. Muitos jogadores me chamam assim. Eu corro bastante nos jogos e por isso ficou essa impressão. Muito bacana o apelido, porque mostra o carinho da torcida. Acho que tenho um carisma legal também. Vejo o torcedor como alguém que vai ao campo, paga ingresso e quer ver você vencendo. E eles viram que eu visto a camisa do Galo com muito amor e carinho.
 
E já tem até bandeira sua na torcida com o apelido escrito embaixo...
 
Eu vi isso lá no Independência. Só posso dizer que fico completamente agradecido à torcida do Atlético e principalmente a quem fez essa bandeira.
 
Sua estreia no Atlético completará nesta sexta-feira (13) dois anos. O que você lembra daquela partida?
 
Foi na estreia da Copa Libertadores. Eu tinha voltado de lesão. Treinei pouco com o grupo, dias antes. Mas o Cuca disse que queria contar comigo para aquela partida. Quando entrei, estava 1 a 0 para nós. Lembro que o Cuca me pediu para fazer a beirada do campo. Em um lance, eu subi com o Ganso, ganhei a bola e o Ronaldinho cruzou para o Réver fazer o segundo gol. Estrear com vitória, ainda mais na Libertadores. Foi perfeito e ali começou a identificação com a torcida.
 
Você mudou posicionamento tático neste ano. Já não é aquele ponta mais, é isso mesmo? 
 
Cada treinador tem uma maneira de posicionar os jogadores, te pedem funções diferentes. No caso do Levir, ele me pediu para fazer a armação na estreia contra o Tupi. Então eu ficava mais pelo meio, esperando os jogadores se movimentarem. Contra o Mamoré, até pelas condições do gramado, ele falou para eu infiltrar mais e arriscar de fora da área. Acredito, porém, que cada jogador tem que ler a partida. Então você vai achando o melhor jeito de se posicionar também.
 
Isso tem a ver com a tal responsabilidade de substituir um ídolo da torcida como o Diego Tardelli?
 
Acredito que não. Tardelli tem suas virtudes e teve o tempo dele de Galo. Agora chegou o nosso momento. Desejo que ele seja muito feliz na China. Mas temos outros jogadores importantes no elenco e eu tenho o meu jeito louco de ser para ajudar o Galo.
 
Você sempre é visto ao lado do Dátolo. Agora também criou vínculos com o Lucas Pratto. Porque a facilidade de virar amigos de argentinos?
 
Eu sou amigo de todo o grupo. Tem o Emerson também (um frequenta a casa do outro). A amizade com o Dátolo foi acontecendo. O Pratto chegou agora e a gente sempre tenta ajudar os jogadores novos, falando sobre o que o torcedor gosta de ver, conversando sobre o clube e ajudando na adaptação deles. 
 
O que você costuma fazer nas folgas?
 
Eu sou muito caseiro. Quando tenho tempo para descansar, fico ao lado da minha família, minha esposa e minha filha pequena. De vez em quando passeio no shopping, mas só. 
 
E o Fifa 15? Dá tempo de jogar fora da concentração?
 
Muito pouco, ele fica mais no hotel mesmo.
 
Qual seu time preferido, já que os brasileiros não estão na última versão lançada da franquia?
 
Eu gosto de jogar com o PSG, porque é um time bem alternativo. Tem uns caras aí que apelam, pegam Real Madrid, Bayern de Munique, Barcelona. Mas eu fico com times diferentes, tem o Atlético de Madrid também.
 
Você sempre fala do carinho com o Atlético de Sorocaba, do interior paulista, time que o revelou para o esporte. Se os dois Galos se enfrentassem, para quem você torceria?
 
São carinhos diferentes. O Atlético de Sorocaba é uma equipe que me projetou para o futebol brasileiro. A identificação com os dois Galos é muito grande. O Atlético atual é um time grande, tem a fama, a pressão e um reconhecimento maior. 
 
E se os dois jogassem? Poderiam até fazer um “Troféu Luan”?
 
É, não seria uma má ideia (risos) Mas é difícil, teria que ser em um amistoso. De qualquer forma, torço para que o Sorocaba suba para a primeira divisão para o paulista.
 
Se você pudesse reencontrar sua avó (Dona Ranúzea, já falecida), que foi a principal incentivadora da sua trajetória, o que falaria para ela?
 
Bom, seria só quando eu morresse, né? Em uma outra vida. Mas se um dia eu reencontrá-la, agradeceria tudo que ela fez na minha vida. Iria dizer que a amo muito e agradecer por todos os conselhos, pois eles foram seguidos e deram o resultado que ela esperava.