Libertadores tem seus duelos “encardidos” e o Atlético voltou a vivenciar isso nesta quarta-feira (26), contra o Independiente Santa Fé. Apesar de ter total controle da partida que foi realizada no Gigante do Horto, o Galo teve de se superar para bater os colombianos. Após sair em desvantagem no placar, o time alvinegro contou com a raça e a técnica de Guilherme e Neto Berola para vencer o embate por 2 a 1. 
 
Com a vitória, o Galo chegou aos seis pontos conquistados em duas partidas e manteve a liderança do Grupo 4 da competição continental. O Santa Fé, curiosamente, é o segundo colocado, com os mesmos três pontos do Nacional, terceiro, porém com saldo de gols maior.
 
E é justamente contra o Nacional, do Paraguai, que o Galo terá seu próximo desafio. O confronto será no estádio Arsenio Erico, em Assunção. A partida será realizada no dia 12 de março e terá início às 22 horas. Antes, o Galo terá três compromissos pelo Mineiro, contra o Villa Nova (no dia 1º, em Nova Lima), Caldense (no dia 5, no Horto) e contra o Guarani (no dia 9, em Divinópolis).   
 
Bom de se ver
 
Desde 2012, o Atlético possui um padrão de jogo em que deixa seus adversários atordoados através de uma troca de bola intensa aliada a uma movimentação constante. O problema é que com o tempo a “fórmula mágica” ficou visada e algumas equipes tentavam fechar essas linhas de passe para prejudicar a progressão alvinegra. Paulo Autuori tentou combater essa marcação, ao utilizar a mesma tática de outrora, porém com Fernandinho mais próximo a Ronaldinho e com o apoio constante de Tardelli, o que facilitava as tramas. E, apesar de não ter saído nenhum gol na etapa inicial, a opção deu certo.
 
Deu certo porque o Atlético sufocou o Santa Fé enquanto teve fôlego. Foram seis oportunidades de gol claras, que só não tomaram o rumo da rede por pequenos detalhes. Como aos 6 minutos, quando Tardelli arriscou uma pancada de fora da área. Faltaram alguns centímetros. Aos 24, foi um vilão que impediu o encontro da pelota com o barbante. Vargas fez uma defesa de puro reflexo quando Otamendi cabeceou na pequena área, aproveitando cruzamento de Ronaldinho.
 
Após os 35 minutos, o físico pesou e o Atlético diminuiu um pouco o ritmo. Não por um acaso, foi quando o time colombiano fez Victor trabalhar, porém sem tanto perigo. Mas quando o primeiro tempo caminhava para seu fim, veio a jogada capital da partida. Aos 46, Otamendi disputou bola com Cuero de forma ríspida. Medina não gostou nada e “vingou” seu companheiro com uma agressão desnecessária. Vermelho para ele e o Galo teria vantagem “material” na etapa complementar.
 
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Na raça
 
Se com 11 em campo o Santa Fe baseou sua proposta em “fechar a casa”, com desvantagem material era claro que o Independiente não iria se arriscar de forma alguma. E assim foi. Enquanto o Galo seguiu pressionando, os alvirrubros se fecharam e passaram da meia-cancha em poucas oportunidades.
 
O problema é que os contra-ataques eram perigosos. E um deles complicou a vida do Galo. Aos 14, Omar Pérez recebeu na intermediária e arriscou um petardo rasteiro. A bola fez uma curva em cima do goleiro Victor e o “vendeu” na jogada, tomando como rumo o canto esquerdo do arqueiro, que nada pôde fazer. 1 a 0.
 
Para alegria da torcida atleticana, a resposta não tardou. Aos 16 minutos, Guilherme recebeu pela direita. Com a belíssima visão de jogo que lhe é peculiar, o meia-atacante deixou Jô de frente para o crime. De perna direita, que não é a boa, o matador mandou para o barbante e levantou a massa alvinegra. 1 a 1
 
A tônica não se alterou nos minutos seguintes. Os colombianos armaram um verdadeiro ferrolho enquanto o Galo tentava chegar ao ataque na base da vontade. Para se ter uma ideia, quem fazia o papel de segundo volante, buscando a pelota com a zaga, era Ronaldinho. Era presença intensa no campo ofensivo. O relógio ia andando e deixava a partida ainda mais tensa. Mas, quando o desespero já batia à porta, o “prêmio” veio.
 
Aos 41 minutos, a bola foi alçada pela direita. Após desvio, foi parar do outro lado, onde Neto Berola estava posicionado junto à trave. De voleio, o atacante mandou para o barbante e fez a festa no Independência. 2 a 1.
 
A euforia do gol da virada teve que ser rapidamente controlada. Afinal, do outro lado havia uma equipe “encardida” que venderia caro a derrota. Até o apito final, foi um sufoco constante, com Victor tendo que aparecer de forma decisiva. Mas o coração alvinegro já estava preparado. Foi duro. Dramático. Mas esse tipo de triunfo, na raça, só motiva mais a equipe para a sequência da competição. 
 
FICHA TÉCNICA
 
ATLÉTICO 2 X 1 INDEPENDIENTE SANTA FE
 
ATLÉTICO: Victor, Marcos Rocha, Leonardo Silva, Otamendi, Dátolo; Pierre, Josué (Guilherme), Ronaldinho (Leandro Donizete); Tardelli, Jô e Fernandinho (Neto Berola). Técnico: Paulo Autuori
 
INDEPENDIENTE SANTA FE: Camilo Vargas, Anchico, De La Cuesta, Francisco Meza, Mosquera; Daniel Torres, Juan Roa (Herrera), Edison Méndez, Omar Pérez; Medina e Cuero (Luis Arias Cardona). Técnico: Wilson Gutierrez
 
Gols: Omar Pérez (aos 14'), Jô (aos 16') e Neto Berola (aos 41' do 2º tempo)
Data: 26 de fevereiro de 2014
Motivo: Jogo válido pela segunda rodada do Grupo 4 da Copa Libertadores
Estádio: Independência
Cidade: Belo Horizonte
Árbitro: Daniel Fedorczuk (URU)
Auxiliares: Carlos Pastorino (URU) e Nicolas Taran (URU)
Público: 14.669 pagantes
Renda: R$ 785.450,00
Cartões amarelos: Juan Roa e Mosquera (Independiente); Marcos Rocha e Pierre (Atlético)
Cartão vermelho: Medina (Independiente)