O Olimpia não confia nos brasileiros e tenta prevenir-se de todas as formas para conquistar o título da Libertadores-2013. Depois de realizar treino secreto, na terça-feira (23), na Toca da Raposa II, a equipe paraguaia não irá almoçar nesta quarta (24) no hotel em que está hospedada.
 
O receio é de que algum ingrediente indigesto seja colocado na comida dos jogadores, que entram em campo às 21h50, no Mineirão, para enfrentar o Atlético, na decisão do torneio continental. O clube paraguaio venceu o primeiro jogo por 2 a 0, em Assunção.
 
O local da refeição não está definido, mas os jogadores podem almoçar no shopping em frente ao hotel onde estão hospedados, no bairro Belvedere – havia, porém, a possibilidade de que a delegação trocasse de concentração. Na madrugada de ontem, torcedores soltaram foguetes em frente ao hotel e há registros de que alguns chegaram a ligar para os quartos dos atletas durante a madrugada.
 
Treino
 
O ônibus levando os jogadores do Olimpia chegou à Toca II às 15h e saiu às 17h40, rumo ao hotel. Durante o treino, um helicóptero sobrevoou os campos e houve boatos de que a prática teria sido suspensa.
 
Alguns fotojornalistas que tentaram registrar imagens do treino do Olimpia foram repreendidos pela Polícia Militar, ao subirem em muros da Toca II, ou em telhados da vizinhança.
 
Na porta do centro de treinamento, cerca de 100 torcedores cruzeirenses apoiavam o time paraguaio e, ao mesmo tempo, faziam a “segurança” do local.
 
Um deles, Hudson Morato, fez questão de vestir a camisa do adversário do Atlético. “Vou torcer muito para o Olimpia, para que coloque o Atlético no seu devido lugar e domingo a gente termina o serviço”, afirmou o torcedor, referindo-se ao clássico entre as equipes, pela nona rodada do Campeonato Brasileiro, no Mineirão.
 
Porretes
 
Havia a expectativa de que torcedores atleticanos fossem à porta da Toca II para incomodar o time do Olimpia. Pensando nisso, cruzeirenses forram ao local para “proteger o patrimônio” do clube. Em lotes vagos nas imediações, a PM encontrou vários pedaços de madeira, utilizados como cabos para enxadas e pás. Entretanto, não há confirmação se cruzeirenses levaram os cabos para um possível confronto.

Jornalistas paraguaios reclamam de recepção
 
Os poucos jornalistas paraguaios que vieram a Belo Horizonte para cobrir a final da Libertadores não estão 100% satisfeitos com a receptividade dos mineiros. Na terça, em frente à Toca II, seis deles, que trabalham para jornais impressos e sites de notícias, reclamaram que a Polícia Militar pouco fez para evitar a hostilidade de atleticanos no entorno do hotel onde estão hospedados, no bairro Belvedere. Durante a madrugada, houve muitos foguetes e bombas.
 
“Nós tivemos dúvidas sobre segurança, e o Maluf nos garantiu que isso não iria acontecer, mas aconteceu. Foi lamentável”, reclamou Victor Sostoa, de 44 anos, do jornal “Última Hora”, referindo-se ao diretor de futebol do Atlético, Eduardo Maluf. Entretanto, reconheceram que a escolta entre o Aeroporto Internacional de Confins e o hotel foi muito bem feita.
 
Um dos correspondentes é o jovem Santiago Riquelme, de 22 anos, do “Diário 10”. Esta é sua primeira cobertura internacional. “Belo Horizonte é muito linda. Estou gostando muito do trabalho e ansioso por conhecer o Mineirão”, afirmou o jornalista.
 
Na terça, além dos seis jornalistas, outros profissionais, fotógrafos e um cinegrafista paraguaios estiveram na porta da Toca II. O veículo de comunicação com mais profissionais na cobertura da final é o diário “ABC Digital”.