Durante a tarde desta quarta-feira (9), o Boletim Informativo Diário da CBF publicou a rescisão contratual entre o atacante Clayton e o Figueirense. Espaço livre para o Atlético finalmente conseguir regularizar o jovem atleta e utilizá-lo no próximo domingo, contra o América, pelo Campeonato Mineiro. O vínculo de Clayton com o Galo, válido por cinco temporadas, deverá aparecer no BID nesta quinta-feira (10). Para tanto, foi necessário uma reunião de sete horas em Florianópolis entre as partes para que um novo contrato de transferência fosse redigido para adequar-se as normatizações da confederação brasileira.

Segundo o Hoje em Dia apurou com pessoas ligadas à negociação, os presidentes de Atlético e Figueirense, Daniel Nepomuceno e Wilfredo Brillinger, se encontraram em Floripa na terça-feira (8), juntamente com o empresário do jogador Jorge Machado (que detém 30% dos direitos econômicos do atleta) para traçarem um novo panorama e fechar, de vez, o negócio. Houve mudança em aspectos fundamentais da negociação, como os valores envolvidos. Segundo a diretoria do Galo, houve pagamento de 3 milhões de euros por 50% de Clayton. Quantia que se elevou.

Clayton, Figueirense e Atlético foram as primerias vítimas da mudança do sistema de regularização da CBF, que entrou de acordo com a circular produzida pela Fifa que determinada o fim da participação da "terceira parte" (investidores) nos direitos econômicos dos atletas. Clayton, por ser um jogador fatiado, não pôde ser registrado no BID. A determinação da Fifa valeria para novos contratos firmados a partir de maior de 2015. A entidade máxima do futebol solicitou aos clubes profissionais que mandassem, através do TMS (Transfer Matching System) documentos que destrinchassem os direitos econômicos de seus jogadores, identificando a presença dos TPO's nesses direitos. Algo que passou batido nos corredores do Orlando Scarpelli.

"Abril de 2015 era a data que a Fifa obrigou os clubes a declararem a relação dos jogadores com quem tinham TPO. Eles teriam que fazer uma declaração no sistema TMS. No caso do Clayton, o Figueirense não fez isso e descumpriu o regulamento. Ao saber disso, a CBF abriu essa investigação na transferência e obrigou os clubes (Atlético e Figueirense) a entregarem a documentação", disse uma fonte ligada à tratativa, ao HD.

Clayton, ao assinar o contrato profissional com o Figueira, tinha os direitos econômicos divididos em 70% para o clube catarinense e 30% ao seu pai, Alfredo Gonçalves da Silva, o Biro. Amigo e ex-companheiro nos tempos de jogador do empresário Jorge Machado (atuaram juntos no Itaperuna-RJ), Biro negociou a porcentagem que detinha com o agente, que virou o responsável por gerir a carreira do atleta. A reportagem entrou em contato com Machado que, antes de a ligação ser interrompida, afimou apenas que o contrato foi assinado na terça-feira.
 
"A CBF estava falando algo que não existia. O contrato só foi concretizado ontem. Não aceitou porque não tinha contrato. Foi assinado tudo ontem à noite", afirmou Machado, à reportagem.

 

Empresário de Clayton, Jorge Machado usa o Instagram para celebrar resolução do caso

Empresário de Clayton, Jorge Machado usa o Instagram para celebrar resolução do caso

Parte interessada
Outro empresário que tinha participação nos direitos econômicos do atleta é Eduardo Uram (cogita-se que sejam 20%). Ele tinha parceria com a antiga diretoria do Figueirense e rompeu a relação após perder espaço com a  entrada da Alliance Sports para gerenciar o futebol do clube alvinegro (empresa ligada ao atual presidente Wilfredo).

Uram chegou a ser o agente de 48 jogadores que passaram pelo Figueira e explicou que não era obrigatório ser consultado pelo Figueirense na negociação de Clayton. Ao ser uma terceira parte do jogador, ele precisa apenas receber a parcela da transferência do Figueirense. O agente assim explicou os moldes da operação entre Galo e Figueira, envolvendo os empréstimos de Rafael Moura e Dodô ao Furacão catarinense.

"Estou na mesma posição que eu estava. Aguardando o Figueirense, com quem tenho o direito e eles, a obrigação. Não tenho nada do Atlético. O Atlético levou o jogador inteiro, 100% dos direitos federativos do jogador e irá pagar o Figueirense em três moedas. A primeira é o dinheiro. A segunda moeda são dois jogadores emprestados, com o salário pago. A terceira é a expectativa de receita futura. Quando o Claytinho for vendido, o Atlético tem que passar ao Figueirense 50% dessa verba futura", explicou Uram, ao Hoje em Dia.

Os investidores por trás dos direitos econômicos de Clayton têm o direito de receber sua porcentagem em cima de qualquer operação financeira que o Figueira fizer com o atleta de 20 anos. Ou seja, se um empresário tem 10% de Clayton, ele ganha essa porcentagem nas três moedas citadas por Uram.

"Eu sou terceira parte, a Fifa denomina assim, de TPO (Third Part Ownership). Como terceira parte, não é parte envolvida. Não participei de nenhuma negociação envolvendo o Claytinho. Quem participou foi o Figueirense, o Atlético Mineiro e o empresário do jogador, que se chama Jorge Machado. Há duas semanas, fizeram um acordo. Nunca ninguém me procurou. Também, ninguém tem que me procurar, tem que me pagar", completou o agente, dono da empresa Brazil Soccer.

Artigo 18bis do Regulamento da Fifa proibindo a participação da

Artigo 18bis do Regulamento da Fifa proibindo a participação da "terceira parte"