O zagueiro Réver passou um bom tempo acordando de manhã, olhando para o tornozelo esquerdo e lamentando não poder vestir a camisa de jogo do Atlético. 
 
Longe da esposa e dos filhos, seu nome esteve mais vinculado a vídeos polêmicos “viralizados” pelo Whatsapp que à sua performance profissional que lhe deu fama.
 
Operado, ele se afastou da família e procurou na noite uma maneira de esquecer seu drama. Contudo, o caminho tortuoso do defensor, em 2014, começa a ser reconstruído pela fé.
 
Réver se aproximou há um mês da Igreja Batista da Lagoinha, em BH, que é ministrada, também, pelo pastor e famoso cantor gospel André Valadão. 
 
Em busca de paz de espírito, o antigo capitão alvinegro prepara a mente e o corpo para voltar ao batente, em dezembro deste ano, ao que tudo indica. 
 
“Réver começou a ir aos nossos cultos regularmente há cerca de um mês. Ele sempre vem acompanhado da família, da esposa (Giovana). Não tive nenhum contato íntimo com ele, mas posso dizer que está mais calmo, sereno. Pronto para buscar uma reaproximação com sua fé, sua crença religiosa, uma direção melhor para sua vida”, confirmou André Valadão à reportagem do Hoje em Dia.
 
Por sua conta no Instagram (Rever_5), o jogador postou uma imagem de agradecimento a dois presentes entregues pelo pastor. Um CD e um DVD do cantor com as seguintes mensagens: “Réver, Deus é tua luz” e “Réver, Deus é sua fortaleza, conte sempre comigo”. 
 
Trauma
 
A tristeza profissional de Réver tem nome: tornozelo esquerdo. A última cirurgia foi no dia 11 de agosto, depois de machucar na partida contra a Chapecoense. Ele já havia perdido parte do primeiro semestre por conta do mesmo problema, o que lhe custou o restante de esperança que tinha de disputar a Copa 2014.
 
Depois do Mundial, Réver foi idolatrado pelos atleticanos de um jeito peculiar. Flagrado em estado de embriaguez ao lado de duas mulheres, ele mandou um recado provocativo ao rival Cruzeiro.
 
Mas as turbulências parecem ter ficado para trás. Uma das provas de vida nova é a reconciliação com a esposa.
 
Tardelli também é amigo de "pastor-astro"
 
Além de Réver, outros jogadores do Atlético também procuram dedicar algumas horas da semana aos cultos religiosos. Com histórico extra-campo bastante recheado igual ao colega de time, o atacante Diego Tardelli deixou a vida noturna e as polêmicas de lado para, com a família, também frequentar a Igreja Batista.
 
Ele é amigo de André Valadão, sendo que ambos postam fotos juntos nas redes sociais e compartilham com seus familiares. 
 
“O Tardelli, sempre que pode, vem aqui na nossa Igreja, também acompanhado da esposa”, explicou o cantor gospel.
 
Outros atleticanos que vão à Igreja são Guilherme, Pierre e Maicosuel.
 
Assédio
 
Há sempre a curiosidade dos frequentadores da Igreja em se aproximar de pessoas famosas. Mas André explica que há até uma orientação para que jogadores e outras personalidades não fiquem até o final do evento.
 
“Eles são assediados depois do culto. Mas alguns saem mais cedo para evitar movimentações que possa os atrapalhar”, disse André Valadão.
 
Rivalidade zero
 
Mas a expressão da fé dos atletas não acontece somente em Igrejas. Também há cultos privados organizados pelos próprios jogadores. Em um deles, em março deste ano, ídolos de Cruzeiro e Atlético deixaram a rivalidade de lado para celebrar suas crenças religiosas em conjunto sob o comando de André. Eles posaram para fotos juntos após o culto. De um lado, Tardelli, Pierre e Leonardo Silva. De outro, Fábio, Ceará e o zagueiro Léo.